Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade (GRECOS), coordenado pela professora Ana Lucia Enne (UFF), relacionado às disciplinas lecionadas por ela no curso de Estudos de Mídia e na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da UFF, conjugando reflexões sobre sociologia, estudos culturais, história, antropologia, cultura, mídia, consumo, memória, juventude, movimentos sociais e identidade, dentre outros temas, e ao Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, a aluna Larissa Da S. Fonseca desenvolveu uma análise acerca do fenômeno do aumento de criadores de conteúdo no Instagram durante a pandemia, se baseando em autores e conceitos trabalhados ao longo do semestre.
"No ano passado, a pandemia do novo coronavírus parou a vida de toda população, e durante essa fase de isolamento, as pessoas redescobriram formas de se comunicar, e de se expressar. De acordo com uma pesquisa, quase 90% das pessoas aumentaram o tempo de uso no celular, e no pico da crise mundial, o público do Instagram cresceu 40%. Dessa forma, alguns sujeitos viram a oportunidade de compartilhar as suas histórias e os seus conhecimentos em formato de post.
Como bem disse Enne em seu papinho podemos ver que o “show da performance" ganhou bastante força nas redes sociais no período da pandemia do COVID -19. Provavelmente você já escutou alguém comentando “fulana virou blogueira" ou “virou blogueira né?” Essas falas são bastante comuns, no universo de pessoas que estão compartilhando no mundo online seus ideais, looks do dia, dicas, tutoriais, textos, vídeos, receitas, enfim, algo que a pessoa gosta de fazer e acredita ser bom ou boa naquilo."
Para o trabalho final de Sociologia e Comunicação, a aluna Ana Beatriz Marçalfez um trabalho sobre o TikTok e a sua influência no mundo, com uma análise do aplicativo através da perspectiva de Goffman.
"O TikTok é uma ferramenta para compartilhamento de vídeos curtos, de 15 a 60 segundos.
Ainda é possível editar e incluir filtros, trilhas sonoras, legendas e gifs, na mesma plataforma.
A rede social é um fenômeno mundial, somente em 2019 foi baixado 750 milhões de vezes.
Na Índia, quase um terço da população utiliza o aplicativo, são mais de 119 milhões de
usuários ativos . E de acordo com a agência de consultoria Sensor Tower, cerca de um bilhão
Para o trabalho final da disciplina de Teoria Crítica da Mídia, as alunas Ana Clara Teixeira De Almeida e Larissa de Mello Rosa fizeram uma análise dos relacionamentos na "modernidade liquida" com base em experiências compartilhadas por usuários do Twitter .
"Neste trabalho temos como objetivo fazer uma análise em torno dos relacionamentos em tempos de "modernidade líquida", conceito criado por Zygmunt Bauman. Por sua vez, nos inspiramos em tweets para abordar tal assunto, uma vez que reflete o que somos e reforça o pensamento de Bauman em seu estudo sobre liquidez. Apesar dos tweets terem um teos cômico e raso, trazem à tona diversas questões discutidas pelo sociólogo polonês, mais do que isso, são um reflexo de seus pensamento que, inclusive, é questionado algumas vezes."
Chegamos ao episódio 05 de nosso Papinho, o podcast do GRECOS. Neste número, abordamos dois sociólogos: Georg Simmel e Zygmunt Bauman, para, a partir de seus conceitos, pensarmos as questões em torno dos temas da ansiedade e do afeto na sociedade moderna ocidental e, posteriormente, globalizada. Entendemos que ansiedade e afeto são sintoma e capital, em um jogo ambíguo, no qual a mídia hegemônica desempenha um papel fundamental. Falamos sobre tudo isso em nosso Papinho, escuta lá, minha gente!
Vamos disponibilizar aqui uma relação das referências que embasaram o episódio, citadas ou não no decorrer do mesmo, em ordem de aparecimento no decorrer do Papinho 5:
4 - Sobre os fundadores da Sociologia - Papinho 3 (Durkheim), Papinho 3 (Marx) e Papinho 4 (Weber); livro QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2002.
5 - SIMMEL, G. "A metrópole e a vida mental", In: VELHO, Otávio (org.) O Fenômeno Urbano. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
6 - Cozinhando com Simmel - por Ana Enne - em 6 partes
19 - ADORNO, Theodor. "A indústria cultural". IN: Sociologia. São Paulo, Ática, 1991.
20 - Para saber mais sobre a pesquisa "Ansiedade e afeto como sintoma e capital das juventudes contemporâneas", e sobre outras pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI) - ver site do LAMI
26 - BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
27 - BAUMAN, Z. Comunidade: A busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
28 - ANDERSON, Benedict. Comunidade imaginada. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
29 - SIMMEL, G. On individuality and social forms. University of Chicago Press, 1972,
30 - RIO, João do. "A era do automóvel". IN: A vida vertiginosa. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
31 - SINGER, Ben. “Modernidade, Hiperestímulo e o Início do
sensacionalismo popular” In CHARNEY, L. e SCHWARTZ,
V. O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac
& Naify, 2001.
44 - BAUMAN, Z. Medo Líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
45 - BAUMAN, Z. Confiança e medo na cidade. Rio de Janeiro, Zahar: 2009.
46 - CALDEIRA, Teresa. Cidade de muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34, 2011.
47 - BARRAL, Étienne. Otaku. São Paulo: SENAC, 2001.
48 - BRAZO, Dionísio de Almeida.
Turismo Otaku : nova tendência de turismo sob o olhar dos otakus
no bairro da Liberdade, em São Paulo. Orientador: Ari da Silva Fonseca Filho.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade
Federal Fluminense. Faculdade de Turismo e Hotelaria, 2017.
Para a disciplina de Mídia e Sensacionalismo de 2018.1, o aluno Gabriel Faria organizou uma playlist com hits da plataforma de streaming Spotify unidos à GIFs em uma página no twitter. Ele trabalha com conceitos de diferentes tipos de comunicações, performances midiáticas e territórios virtuais.
"A noção de performance que trabalho nesse projeto é a dos “atos performáticos em suportes midiáticos”, que podem ser recuperados através de arquivos armazenados (AMARAL; SOARES; POLIANOV, 2018). Busco entender como através de um formato de imagem digital podemos performar a nossa comunicação online e demonstrar nossos afetos e percepções sobre produtos culturais midiáticos que nos afetam. (...)
Ao elaborar essa discussão trabalhando noções de performance e GIF, percebo um alinhamento entre eles no que diz respeito a comunicação online e às novas formas de expressividade performática nas redes. A performatização das músicas de uma playlist musical hospedada no Spotify, através de GIFs, dentro do Twitter que é uma plataforma online que se constitui como território virtual para esse tipo de formato de imagem, faz tornar perceptível como nossas noções de gostos pessoais e apegos simbólicos são determinantes para a escolha de ambos, GIFs e músicas. O conteúdo do GIF provoca sensações que desencadeiam a aprovação de adequação ou não daquele conteúdo como representante imediato da minha performance online."
Para o trabalho final da disciplina de Sociologia e Comunicação de 2018.1, a aluna Sarah Roque analisa o filme "Encontros e Desencontros" de Sophia Coppola, como esse produto audiovisual conversa com as teorias propostas de Simmel e Bauman sobre a modernidade e suas relações fluidas.
"Assim a individualidade é conquistada, quando o indivíduo se liberta da claustrofobia proporcionada pelos círculos sociais pequenos da vida rural, mas é também perdida, no sentido que a reserva e a indiferença, presentes na vida metropolitana, apagam os traços individuais do ser, o colocando como apenas mais um indivíduo em um aglomerado social. O cenário de Tóquio no filme, demonstra perfeitamente essa sensação. Charlotte desamparada em uma cidade nova, é vista muitas vezes em meio a aglomerados, tentando conhecer a cidade, mas ainda que rodeada de pessoas, ela segue se sentindo sozinha, outro trecho que exemplifica muito bem a ambiguidade entre liberdade e solidão, é quando Charlotte vai até um fliperama, é uma cena colorida e barulhenta, mas quando a câmera foca nos personagens presentes, estão todos jogando porém sem se divertir, com uma atitude blasé, e grande maioria se encontra sozinha."
Para a disciplina de Sociologia e Comunicação de 2018.1, a aluna Luiza Alexander fez uma reflexão a respeito do feminismo e os usos que o capitalismo faz desse movimento para promover a mercadoria e o lucro. Usando os teóricos Marx e Bauman, ela avalia esses usos mercadológicos e os analisa procurando fugir de uma perspectiva dualista.
"O feminismo como estratégia de marketing pode ser levado para diferentes caminhos e percepções. Com a análise de Marx e a fetichização da mercadoria utilizada pelas empresas de roupas e acessórios, o fim acaba sendo exclusivamente o lucro, uma vez que não promove muitas discussões por já ser direcionado a um público específico. A utilização de peças consideradas feministas só constrói mais a idéia de precisarmos moldar uma máscara para que passemos as impressões “certas” ao resto da sociedade, como se precisássemos vestir a nossa militância para sermos efetivamente militantes. A idéia de legitimar a luta apenas através do consumo estético (de roupas, objetos e acessórios) é extremamente capitalista. Obviamente, cada pessoa é livre para usar e comprar o que quiser. Só trago atenção à pressão que às vezes fica em volta de todas que participam de uma luta, uma vez que é imposto um molde do “tipo feminista” e como ela se veste."
Ingrid Telino, aluna da disciplina de Sociologia e Comunicação 2018.1, discute sobre os conceitos de "pós-modernidade" e "amor líquido" nas relações humanas contemporâneas. Como objeto de reflexão ela aborda o filme de 2004, "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".
"Para Bauman, vivemos em um mundo de incertezas, tempos de relações sociais frágeis que cada vez mais se tornam relações mercantilizadas e individualizadas. Neste
contexto, a relação social, uma responsabilidade mútua entre as partes que se relacionam, é trocada por um outro tipo de relação que o autor chama de conexão, onde sem pressão para estabelecer responsabilidade mútua entre seus participantes, o relacionamento se torna frágil. Ele tira esta palavra das análises de relacionamentos em sites de encontros. Em suas pesquisas ele percebe que o grande agrado dos sites de encontros está na facilidade de esquecer o outro, de se desconectar."
Eduarda Rodriguez, aluna da disciplina Sociologia e Comunicação 2018.1, analisa com base teórica em Simmel e Bauman, o neologismo "Sonder" criado por John Koenig para o Dictionary of Obscure Sorrows, que nomeia sentimentos que não existem em palavras.
"Na vida moderna o tempo todo estamos recebendo informações, sejam essas nas ruas com anúncios e outdoors coloridos por todos os lados ou em casa com as televisões, celulares e todas as outras telas que compõem o dia a dia das pessoas. Diante disso, pode-se observar que cada vez mais os sujeitos nutrem o sentimento de que há muito acontecendo no mundo, porém pouco é alcançado e experimentado. Nesse sentido, a sensação de que todos os seres humanos possuem uma história própria torna-se possível, porém a angústia aparece ao perceber que talvez a sua existência não afete em nada na história do outro, que talvez você seja apenas mais um coadjuvante ou que até mesmo suas histórias nunca se cruzem."
No site, conforme divulgação, "além da produção intelectual dos participantes do grupo de pesquisa, há um arquivo atualizado de notícias sobre emoções e temas afins".
Em breve, o CINECLUBE DO GRECOS exibirá alguns filmes de Ken Loach, com debates sobre a sociedade contemporânea. Para iniciar a preparação para este evento, postamos aqui uma entrevista com o cineasta britânico de 80 anos que segue, em seus filmes, abordando temas politicamente engajados.
Júlia de Castro, aluna de Sociologia e Comunicação, teve como objeto de estudo do trabalho final da disciplina a cobertura midiática sobre a morte do cantor Cristiano Araújo. Cristiano Araújo era um jovem cantor do gênero sertanejo universitário que estava começando a estourar no meio artístico. Sua morte, ocasionada por um acidente de carro em junho de 2015, surpreendeu a todos e os meios de comunicação fizeram intensa cobertura do ocorrido.
A partir do texto "Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular" do Ben Singer, Júlia contextualiza e relaciona a cobertura midiática da morte do cantor aos fenômenos contemporâneos ocasionados pelo intenso fluxo de comunicação e informação.
"Cristiano de Melo Araújo, mais conhecido como Cristiano Araújo, foi um cantor de música sertaneja nascido em 24 de janeiro de 1986, em Goiás. Desde pequeno, o cantor participava de festivais e projetos musicais em sua cidade com composições autorais. O estilo musical sertanejo é muito ouvido nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, e Cristiano Araújo começou sua fama, ainda em nível local, nos estados brasileiros dessas regiões. Após algumas parcerias musicais com cantores mais conhecidos na mídia, como a dupla Jorge e Mateus, e a cantora Paula Fernandes, Cristiano ganhou certa notoriedade, e um de seus hits “Bará Berê” foi trilha sonora da telenovela “Salve Jorge”, da Rede Globo de Televisão. O cantor também participou de alguns programas de auditório da televisão aberta, nos quais ele lançava algumas músicas, mesmo sem nunca ter sido destaque nas notícias de cunho popular.
Contudo, na madrugada do dia 24 de junho de 2015, quando Cristiano Araújo voltava de um show feito na cidade de Itumbiara, o carro em que ele e sua namorada se encontravam, capotou na BR-153 em Goiânia, provocando primeiramente a morte de sua namorada Allana Moraes, de 19 anos, e posteriormente, a morte do cantor, que não resistiu ao ser transferido para o hospital, falecendo aos 29 anos. Cristiano Araújo não saberia disso, mas a sua morte parou a televisão brasileira, o que causou estranhamento nos expectadores, pois, como um cantor aparentemente “desconhecido” ganhou tanto destaque de uma hora para outra nos canais de televisão aberta?
O produto midiático a ser analisado, é a forma como a morte do cantor foi transmitida no programa “Programa da Tarde” da apresentadora Sônia Abrão (que consiste em duas horas e meia de notícias sensacionalistas sobre os famosos) a partir do texto do pensador Ben Singer “ Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular."
Hilton Marques, aluno de Sociologia e Comunicação, analisou o livro "Martin Dressler: a história de um sonhador americano", escrito por Steven Millhausser no final do século XX. O romance conta a trajetória de um jovem novaiorquino desde o início da sua vida profissional como assistente na loja de seu pai até a consolidação do seu negócio no ramo hoteleiro.
O aluno chama atenção para as dificuldades que o protagonista começa a enfrentar ao se deparar com uma sociedade altamente globalizada, com um fluxo de informações transbordante, e vê o seu negócio perder força. Hilton compara essa situação com a questão do hiperestímulo, trabalhada por Ben Singer e George Simmel, fenômeno típico das metrópoles modernas.
"Martin Dressler: a história de um sonhador americano, escrita em 1996 por Steven Millhauser, conta a trajetória de um jovem empreendedor de origem alemã na cidade de Nova York do início do século XX. Martin trabalha com seu pai desde pequeno em uma tabacaria. Disposto a melhorar os serviços do negócio, sempre propõe alguma coisa criativa para atrair mais clientes (como uma árvore de natal com charutos nos ramos dos pinheiros). Devido à sua disposição para o trabalho, Martin é logo convidado a trabalhar como mensageiro em um luxuoso hotel próximo a tabacaria de seu pai, fazendo-o se encantar pela rotina hoteleira, sendo logo promovido a gerência.
Anos depois, Martin adquire, com as economias guardadas ao longo dos anos de seus honorários tanto do hotel quanto da tabacaria, um espaço que decide transformá-lo em hotel. Sempre bem sucedido em seus empreendimentos, Martin se lança a novos desafios na metrópole. Logo abre mais dois hotéis, com estruturas cada vez mais suntuosas e impactantes, e um deles (chamado Grand Cosmo) seria um dos grandes desafios e a razão da sua crise."
Beatriz Marques, aluna de Sociologia e Comunicação, descreve como o facebook se encaixa perfeitamente como uma ferramenta da "sociedade do espetáculo", conceito desenvolvido por Guy Debord.
Beatriz analisa como os usuários se apropriam da rede para criar uma imagem pessoal que, dificilmente, irá refletir a sua verdadeira aparência física ou personalidade. A aluna apresenta o argumento de que os sujeitos tendem a retratar mais características positivas que negativas, definidas pelo senso comum. A partir daí, a aluna exemplifica nos conceitos de Debord como as demandas da pós-modernidade, influenciadas diretamente pela sociedade do consumo, atravessam e são atravessadas pela questão da representação midiática.
"O produto midiático a ser analisado é o Facebook. Essa é uma rede social na qual as pessoas criam um perfil próprio e podem conectar-se a outros usuários adicionando-os como amigos, por exemplo. Os adeptos do Facebook trocam mensagens e recebem notificações, compartilham fotos e podem participar de grupos de interesse como grupos relacionados ao trabalho e a escola. Além disso, os usuários podem postar imagens e comentários que exponham e caracterizem as suas opiniōes e personalidades, no entanto essas personalidades podem ser expostas de forma distorcida e não real. Ou seja, da mesma maneira que os atores atuam em novelas e filmes, as pessoas podem criar personagens, atuar ao utilizar o Facebook, por exemplo, ao descrever uma rotina ou mesmo postar fotos que não dizem respeito a suas próprias realidades. Os indivíduos são capazes de mostrar ao mundo (através do facebook) uma versão melhorada de suas vidas e deles mesmos. Uma pessoa pode conquistar uma reputação de fã de esportes, por exemplo, quando passa a fazer postagens com comentários relacionados a esse assunto ou pode ainda mostrar que emagreceu, ou que mudou a cor do cabelo com a ajuda de ferramentas de edição de imagens como o Photoshop. Desta forma, as pessoas que acessam esse conteúdo são consumidoras dessas imagens e acabam por aceitá-las, muitas vezes, sem que haja questionamentos. Assim, com o grande número de adeptos do Facebook no mundo inteiro, esse se torna um bom objeto para ser analisado e comparado a Sociedade do Espetáculo de Debord.
Guy Debord mostra em seu filme “A Sociedade do Espetáculo” um trecho dizendo que “o espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não vivo.” Diz ainda que “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens”(DEBORD, 1997, p. 14). Desta forma, esse espetáculo explicado por ele pode ser entendido como a interferência das imagens nas relaçōes sociais entre as pessoas. Com esta afirmação, já se pode fazer uma conexão do Facebook com a Sociedade do Espetáculo uma vez que as imagens disponíveis são elementos de interação entre os usuários. Nessa rede social há três ferramentas principais que possibilitam que os usuários se relacionem e expressem as suas opiniōes com outras pessoas e a respeito de outras pessoas, são eles: curtir, compartilhar e comentar. Desta forma, os usuários podem mostrar aprovação ou desaprovação frente as ideias e postagens de outras pessoas, formando, e expondo, a sua própria identidade dentro da rede social."
Nina Oyens, da turma de Sociologia e Comunicação, trabalhou um dos conceitos chaves de Zygmunt Bauman: a modernidade líquida. Para isso, a aluna usou como objeto de análise o filme "Eu, você e a garota que vai morrer", do diretor Alfonso Gomez-Rejon, baseado no livro homônimo escrito por Jesse Andrews.
Em seu trabalho, Nina analisa o comportamento dos três personagens principais, adolescentes, diante da sociedade contemporânea, fortemente marcada pela volatilidade das relações interpessoais. A partir do ponto de vista do protagonista, a aluna demonstra como o jovem, inserido na lógica ambígua que consiste entre ser livre e ficar só ou ter companhia e se prender, se porta diante de uma situação inesperada por ele.
Trabalho muito bacana para refletirmos o modo como construímos, mantemos e desconstruímos as nossas relações interpessoais e como elas são afetadas pelas questões sociais da pós-modernidade.
"O filme norte-americano “Eu, você e a garota que vai morrer” (título original: “Me and Earl and the dying girl”), baseado no livro de mesmo nome, retrata a vida de Greg em seu último ano de Ensino Médio, através de uma narração introspectiva e autorreflexiva em primeira pessoa pelo personagem principal. O filme apoia-se muito em seus diálogos, logo, os diversos relacionamentos entre personagens são o foco principal, especialmente a relação entre Greg e Rachel, sua colega de classe que descobre ter leucemia. Não há, contudo, envolvimento amoroso entre os dois, como Greg afirma diversas vezes pelo filme: “isso não é um história comovente de amor”. Em vez disso, Rachel torna-se sua primeira "oficial" amizade, já que o menino tem uma extrema dificuldade em aproximar-se das pessoas e chamá-las de “amigo”. Isso fica claro quando ele introduz seu melhor amigo de infância como um “colega de trabalho”, já que os dois fazem filmes juntos. Seu medo de se apegar aos outros leva-o a querer tornar-se invisível aos olhos de seus colegas de escola, mas sua nova amizade muda completamente sua percepção em torno de relacionamentos, do futuro incerto e da morte (uma resenha mais completa a respeito do livro pode ser encontrada ao final do trabalho). Tais questões podem ser amplamente analisadas através das lentes do pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, especificamente em sua obra “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”.
Já no prefácio de seu livro, Bauman traz a ideia de que, ao mesmo tempo em que homens e mulheres anseiam por relacionar-se e conviver com outros, temem a solidez que a criação de vínculos representa, por não suportarem a ideia de estarem “presos" a uma pessoa para o resto de suas vidas. Essa ambiguidade em querer estar com alguém, mas também querer estar livre para explorar outras, possivelmente melhores, opções é típica, de acordo com o autor, do caráter volátil da "modernidade líquida” em que vivemos atualmente. Também ressalta que relacionamentos são repletos de altos e baixos e, às vezes, os sacrifícios que eles demandam não são compensados, o que leva muitos a optarem pelo não envolvimento. Tal situação assemelha-se à atitude de Greg, que mantém-se amigável na maneira como trata seus colegas, mas distante, convivendo de forma superficial de modo que não sofra ou destaque-se em meio à multidão de alunos."
Seguimos postando os trabalhos do semestre passado.
Thomas Mariano, aluno de Sociologia e Comunicação, analisou o uso cotidiano do facebook, demonstrando como nos portamos como "atores sociais", de acordo com o conceito desenvolvido por Weber.
"Esse trabalho tem como finalidade aplicar e correlacionar o conceito de 'Ações Sociais' contido na visão de sociologia do alemão Max Weber nas atuais práticas cotidianas do Facebook, a maior rede social virtual do século XXI.
Diferente de Durkheim e Marx, Weber traz uma visão de sociedade chamada de sociologia 'compreensiva', na qual entende as estruturas sociais como dependentes das ações de seus indivíduos cujo objeto de estudo é a ação social destes. Para Weber, a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto de ações individuais. Estes indivíduos realizam suas ações vinculadas às ações de outros, no momento do agir levando em consideração o comportamento dos outros: é isso que faz da ação, uma ação social. A estes indivíduos é dado o nome de 'atores sociais' pois uma única pessoa pode agir de diferente maneiras, atuar diferentes papeis sociais dependendo do contexto, estímulo comportamental do outro e compartilham de significados comuns. Como exemplo temos um jovem rapaz universitário, filho, estagiário e amigo. Um único cidadão vivendo em sociedade com diferentes pessoas e lugares, o comportamento que é estimulado em casa muito provavelmente se distancia do da faculdade com seus amigos assim como com seu chefe no estágio."