Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade (GRECOS), coordenado pela professora Ana Lucia Enne (UFF), relacionado às disciplinas lecionadas por ela no curso de Estudos de Mídia e na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da UFF, conjugando reflexões sobre sociologia, estudos culturais, história, antropologia, cultura, mídia, consumo, memória, juventude, movimentos sociais e identidade, dentre outros temas, e ao Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
A ESPM possui um acervo digital muito bacana! O Memorial do Consumo é um museu virtual interativo que reúne diversos relatos sobre o universo do consumo.
Uma iniciativa do PPGCOM-ESPM, o banco de dados apresenta material livre para consulta em diversos meios: áudio, vídeo, texto e imagem. Além de consultar, o usuário também pode acrescentar relatos por meio de uploads, o site é uma plataforma colaborativa.
O material reunido no site é dividido em três categorias: Teia das Memórias, que apresenta relatos espontâneos sobre narrativas do consumo; Teatro de Materialidades, responsável por mostrar produtos, com suas campanhas publicitárias e embalagens, relacionados ao universo da comunicação e do consumo; Tubo de Ensaio, que reúne interpretações sobre o fenômeno do consumo.
Esse link disponibiliza cinco aulas em vídeo, legendado em português, com o professor David Harvey, sobre a obra "O Capital", escrita por Marx no século XIX.
"O Capital" é considerado um marco do pensamento socialista marxista e obra indispensável na construção da crítica ao capitalismo, abordando conceitos e temas importantes como mais-valia, salário e modo de produção capitalista.
David Harvey é inglês, geógrafo especializado em Marx, formado pela Universidade de Cambridge e, atualmente, leciona na Universidade da Cidade de Nova Iorque.
O trabalho a seguir é do Bruno Machado. O aluno encontrou uma moça portuguesa, fazendo cover de uma música da cantora brasileira Kelly Key, na Inglaterra! Mais um exemplo de como culturas diferentes se cruzam e são reapropriadas mundo afora!
Segue abaixo o vídeo da interpretação e o início do trabalho do Bruno.
O píer situado abaixo da London Eye é uma atração obrigatória para quem visita Londres. Cartão postal da cidade, o píer tem vista privilegiada para a própria London Eye, bem como o Big Ben e o Rio Tâmisa.
É comum, até pelo fato de ser um dos lugares mais visitados da Inglaterra, encontrar diversos artistas de rua no calçadão que é conectado ao píer. Estátuas humanas, mágicos, mímicos e músicos já são considerados parte da paisagem local... [continue lendo].
Neste trabalho, a aluna Manaíra Carneiro abordou o movimento cultural do Passinho como forma de disputa por significação e sua repercussão na sociedade. Em contrapartida, ela exaltou também a posição da cultura hegemônica com suas críticas ao não erudito, citando alguns autores que publicaram em meios de comunicação de grande alcance.
A aluna desenvolveu o seu trabalho a partir do vídeo "Passinho Foda", que segue logo abaixo:
É interessante pensarmos também como um movimento artístico, a princípio, amador repercutiu na mídia e é cada vez mais apropriado pelos mais diversos grupos. Nos últimos anos, o movimento do Passinho transformou-se em uma competição de dança entre comunidades do Rio de Janeiro, tendo a cobertura da mídia local, como o RJ TV. A dança virou ainda um longa-metragem documentário, o teaser segue abaixo.
O Passinho é uma dança que nasceu entre os becos e vielas da favela carioca. Como bem diz a letra de umas das músicas que o lançou nacionalmente, ele é a 'mistura do freco com o funk'. A sua divulgação pelo youtube contribuiu para tornar-se popular. Postado em 2008 no site, o vídeo "Passinho Foda", virou referência para dançarinos de várias favelas cariocas. Hoje, o vídeo tem mais de 4 milhões de acessos. Ele mostra meninos dançando numa laje do Jacaré, em ritmo de funk. A dança do 'passinho do menor da favela' é aberta à possibilidade de novas técnicas, fazendo com que cada dançarino execute-a de forma diferente e crie sua própria maneira de dançar, comprando ao mundo da informática, diferentemente do balé, o passinho tem seu 'código fonte aberto'. Por isso, a diverisade de improvisações é o ponto alto nesta dança.
O aluno Yan Caetano analisou a interpretação da música "Ai se eu te pego", do cantor sertanejo Michel Teló, pelo violinista André Rieu em seu último espetáculo realizado em São Paulo.
Yan mostra que, apesar de ser depreciado e até mesmo desqualificado, o gênero musical brega (incluindo o sertanejo), quando apropriado pela cultura hegemônica, recebe outra significação e passa a ser reconhecido como produto de valor.
Abaixo, o vídeo da apresentação e o texto do trabalho.
No dia 10 de março de 2013, a Rede Globo de Televisão exibiu, em seu horário nobre, o espetáculo "André Rieu Espetacular", parte da primeira turnê do violinista e regente holandês e da orquestra Johann Strauss ao Brasil. O show, que foi realizado na cidade de São Paulo, apresentou músicas típicas da cultura hegemônica, como a "Marcha Radetzky" de J. Strauss e "Ave Maria" de J.S. Bach/ Ch. Gounod. Entretanto, nos momentos finais do concerto, o público presente no Ginásio do Ibirapuera e os espectadores que acompanhavam o show na televisão foram surpreendidos pela execução especial da canção "Ai se eu te pego", do sertanejo brasileiro Michel Teló. Em uníssono, a orquestra e o público celebraram uma das canções mais ouvidas... [continue lendo]
A aluna da turma de Sociologia e Comunicação, Andressa Hygino, utilizou três conceitos fundamentais em Marx - ideologia, alienação e luta de classes - para explicar a relação do Cinema Novo brasileiro com o Manifesto do Partido Comunista. O texto segue abaixo. Para continuar lendo, basta clicar no link! ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
cena do filme Terra em Transe
Analisando o Cinema Novo como um movimento de cunho cultural e político, repercutindo como um fato social, o intuito deste trabalho é analisar como o seu projeto se identifica com o discurso marxista, propriamente aquele que se apresenta no Manifesto do Partido Comunista, através de três chaves principais: a ideologia, a alienação e a luta de forças.
O Cinema Novo se destaca na década de 1960, no Brasil, tendo sido um movimento formado por um grupo de cineastas e fomentado por alguns críticos comprometidos com a luta por um cinema com identidade nacional. No seu contexto de surgimento, o projeto cinema-novista consistia em uma frente contra a hegemonia dos filmes norte-americano no mercado interno. A questão é que esse movimento desloca a questão mercadológica para uma questão política, pelo que apontavam ser uma estratégia sedutora de Hollywood para difusão de hábitos e valores enquanto indústria representativa dos Estados Unidos da América. Pelo poder dessa grande indústria, a estética e linguagem do cinema foram estabelecidas para o público brasileiro (que ainda estava em processo de receber outras filmografias mundiais) no modo como foram moldadas pelas suas contínuas produções, estabelecendo um padrão. A familiaridade do público com os filmes americanos parecia ainda maior quando vista em comparação com os filmes nacionais, já que os filmes do cinema novo foram taxados como sendo de difícil compreensão. Logo, os críticos perceberam que havia no cinema americano uma ideologia que imperava de maneira que o público assumia uma certa recusa por filmes que se apresentassem esteticamente diferentes ou tocasse em assuntos mais complexos, mesmo que mais próximos. Vemos que os filmes de Glauber Rocha até hoje são considerados difíceis por um público somente acostumado com o cinema norte- americano. A base dessa ideologia era o discurso universalista, os temas rasos e que transmitiam a sensação de pertencer a todo o mundo. Continue lendo, clique aqui.
O trabalho postado hoje foi feito pelas alunas Ana Carolina Gomes, Andreia Lopes e Pollyane Belo no intuito de abordar a cultura nordestina no Pavilhão de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. As alunas tiveram como base alguns temas trabalhados em sala, como apropriação e significação de espaços e hibridização cultural. Para a apresentação, foi produzido um documentário que segue abaixo.
Realizadoras: Ana Carolina Gomes, Andreia Lopes, Pollyane Belo
O vídeo intitulado Tá com a Mulesta foi produzido como trabalho final para a disciplina de Comunicação e Cultura Popular, com o objetivo de pensar questões discutidas em sala de aula. O nome representa uma das expressões popularmente conhecidas e usadas em locais do nordeste. "Mulesta" é um regionalismo. Pode significar raiva, descontrole, inquietação, ou pode estar dentro de uma expressão idiomática, tomando outro sentido.
A seguir, um dos trabalhos da turma de Sociologia e Comunicação desse semestre. Esse, feito pelo Thiago Yamachita. Nessa postagem, se encontra apenas o primeiro parágrafo, para ler o trabalho completo, clique no link lá embaixo.
Gostaria de analisar neste texto matérias publicadas em 3 distintos sites da internet, as matérias são: “Marta Suplicy, vale-cultura e a revolta gamer” publicada no site Kotaku#, “O abacaxi da cultura” publicado no site do Estadão# e “Era melhor antes” publicado no site do jornal O Globo#. Em comum, os três textos abordam questões relacionadas à cultura, mais especificamente, eles remetem a uma ideia que levantam questionamentos sobre o que é cultura e como ele é percebida em nossa sociedade atual, os três também discutem as políticas governamentais no campo da cultura, como elas são percebidas ou qual sua eficácia.
O primeiro dos artigos, publicado pelo site de games Kotaku, fala sobre a declaração polêmica da atual ministra da cultura Marta Suplicy que, ao ser perguntada se os vídeo games...
Mais um semestre dos cursos de Comunicação e Cultura Popular e Sociologia e Comunicação, mais um semestre com ótimos trabalhos! Sendo assim, as próximas postagens do blog serão direcionadas a eles.
A começar pelo *mais novo hit da internet*. Não é para tanto! Mas o Flash Mob produzido pela turma de Comunicação e Cultura Popular desse ano ganhou grande visibilidade na web, chegando a mais de 27.000 visualizações no YouTube. Guiando-se através do conceito de hibridização cultural e da ideia de ocupação e apropriação do espaço público, a turma criou uma coreografia para a música "Passinho do Volante" de Mc Federado e os Leleks e apresentou-a em forma de Flash Mob no Centro Cultural Banco do Brasil.
Abaixo, segue a ficha técnica e a justificativa do trabalho, junto com o vídeo!
Música: Passinho de Volante - MC Federado e Os
Lelekes
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) -
Centro, Rio de Janeiro, RJ
Data: 16 de março de 2013
Alunos:
Ana Beatriz Domingues, Bruno Pestana, Bruno
Rocha, Caroline Dabela, Caroline Moreira, Clara Sacco, David Barenco, Eduardo
Glasser, Enio Graeff, Gisele Vargas, Helena de Serpa, Ioná Ricobello, João
Pedro Martins, Júlia Corrêa Pacheco, Júlia Robadey, Juliana Henrice, Lia
Ribeiro, Lonya Mana, Luana Calazans, Luana Furtado, Lucas Camacho, Mariana
Darsie, Paulo Victor Gitsin, Pilar Diniz,Rafael Cathoud, Raquel Mattos, Rávellyn
Borges, Tatiana de Moraes, Teresa Barros, Thayná Couto Faria, Vinícius Küster,
Wesley Prado, Yone Benicio.
Participantes convidados:
Aline Massa (filmou), Débora Nunes (filmou),
Emmanuel Ferreira (filmou), Felipe Lemos (filmou), Fernanda Moraes (dançou), João
Mendonça (filmou), Isabelle Pacheco (filmou), Larissa Mendonça (dançou), Lis
Neves (dançou), Marcelo Mucida (dançou), Marcelo Weber (dançou), Negra Maria
(filmou), Rodolfo Darsie (dançou).
O Flashmob foi uma perfomance desenvolvida como
trabalho final para a disciplina Comunicação e Cultura Popular II, ministrada pela
professora Ana Enne.
Motivados em parte pela vontade de realizar o
sonho da professora e em parte pelas incríveis possibilidades de significação
de um flashmob, escolhemos este "veículo" para dar vazão as diversas
questões trabalhadas em sala. O simples fato de inserir o funk "hit"
do momento, que tão bem representa a cultura popular, em um espaço de cultura,
dito democrático, mas que abriga manifestações culturais já consagradas e,
principalmente, hegemônicas problematiza a hierarquização da cultura e
evidencia seu papel como espaço de luta e disputa por significação.
Relação com os conceitos trabalhados na matéria:
O flashmob objetivou trabalhar a cultura como
espaço de lutas, evidenciando a dinâmica relação entre cultura hegemônica e
cultura popular. Nas aulas de Comunicação e Cultura Popular, inicamos os
estudos compreendendo a construção do conceito de cultura popular e suas duas
visões clássicas: a Iluminista e a Romântica, que a colocam, respectivamente em
uma posição de cultura menor, não letrada, aleatória, bárbara - que deve ser
controlada, evitada e no lugar da tradição, da essência, do rústico - aquilo
que deve ser preservado. Vimos que a distinção entre a "elite" e o
"povo" é o tempo todo reafirmada no espaço da cultura que é permeado
por questões de distinção e "níveis de cultura".
Em um esforço de desconstrução dessas duas noções
e complexificação dos processos em torno da cultura, em particular da cultura
popular, a disciplina constrói um caminho teórico a ser trilhado e
posteriormente exemplificado em diversos âmbitos e através de veículos e
produtos culturais diversificados. Partimos dos estudos de Peter Burke sobre a
cultura popular na Modernidade onde ele afirma que a cultura oficial,
representada pela elite aristocrática e pela Igreja Católica, se mistura com a
popular, porém com transformações significativas, mantendo-se a separação
do poder econômico. Redfield (EUA) trabalha com a ideia de que a cultura
erudita tem grande tradição, muita preocupação e cuidado na sua manutenção. Por
sua vez, a cultura popular tem uma pequena tradição, mas é bastante viva.
Acompanhamos o processo de transição entre as ideias de biculturalidade (ou bilíngue),
reforçada por Bakhtin, e de circularidade cultural, trazida por Grinzburg. A
circularidade confere, a qualquer processo cultural, a negociação de discursos
com seus referentes contemporâneos, antecessores e sucessores. Podemos
articular o flashmob à diversos autores da Nova História Cultural. A apresentação
do funk no CCBB se relaciona aos conceitos de hibridização de Canclini,
apropriação de Chartier e "modos de fazer com" de Certeau. As
fronteiras entre identidades, tradição e modernidade tornam-se mais difusas,
mais flexíveis, mas este instante também representa contradições, por este ser
um local que deve refletir a cultura brasileira e, muitas vezes, é focado na
dita "alta cultura". Assim, o flashmob representa, em pequena escala,
uma ação contra-hegemônica de mediação, mais uma vez reflexo de nossos estudos,
incluindo aqui Gramsci e Barbero.
A organização foi feita virtualmente, através de
um grupo secreto no Facebook. A partir da mobilização de alguns grupos de
alunos - que, separadamente, pensavam em realizar flashmobs -, foi criado o
grupo para integrar todos os que desejassem fazer parte deste projeto, assim
realizando apenas um flashmob, com o maior número possível de alunos. A partir
de então, diversas ideias foram colocadas em pauta, e uma votação foi criada.
As possibilidades eram:
- "Ah lelek lek lek" a ser realizado
no CCBB;
- "Um novo tempo" a ser realizado em
um dos seguintes locais: SAARA, Central, rodoviária Novo Rio;
- Outro Funk;
- Alguma música que representasse a hibridização
(exemplo cogitado: Dona Joana canta Zezé Di Camargo e Luciano);
- Alguma música do projeto "Jeito
Felindie";
- Tecnobrega;
- Harlem Shake;
- Festa no Apê.
Para a realização, foram realizados apenas dois
ensaios presenciais: o primeiro no dia 12 de março e o segundo no dia 16 de março.
O encontro do dia 12 foi a única reunião
realizada de forma não virtual, desta reunião foram retiradas as seguintes
comissões:
Comissão
de Coreografia: Gisele Vargas, Lonya Mana, David Barenco e Tatiana
Moraes.
Responsável por elaborar a coreografia de forma
simplificada e gravar um tutorial para que todos pudessem ensaiar
indivudualemente em suas casas. O tutorial possibilitou também a participação
de pessoas que não eram da turma.
Comissão
de Audiovisual: Wesley Prado e Débora Nunes
Responsável por direcionar todas as pessoas que
iriam filmar, pensar o posicionamento das câmeras e o melhor aproveitamento da
captação de som.
Câmeras: Wesley, Débora,
Felipe, João, Isabele e Caroline
Convidados para realização das filmagens e
alunos que preferiram filmar.
Comissão
de edição: Lia Ribeiro
Responsável por juntar todas as filmagens
oficiais e algumas extra-oficiais.
Comissão
do Som: Mariana Darsie, Teresa Cristina e Lia Ribeiro
Responsável por procurar algum equipamento de
som a base de pilha a ser usado no dia.
Comissão
da Surpresa: Clara Sacco
Responsável por articular a ida da Professora
Ana Enne ao CCBB, para que ela visse o flashmob, mas sem estragar o elemento
surpresa.
Outras funções importantes:
Menino
Maluquinho: Paulo Victor Gitsin
Interação coreográfica com a exposição do CCBB,
Paulo Victor foi o escolhido para iniciar a coreografia dançando no Kinect com
o Menino Maluquinho.
Puxadora: Gisele Vargas
Responsável por dar o play no som e iniciar o
canto da música, dando o tempo certo a todos os outros participantes.
O ensaio geral e a realização aconteceram no
mesmo dia, 16. O ensaio, porém, ocorreu mais cedo na Praça XV, depois todos se
encaminharam para o CCBB.