Emanuela Nóbrega, aluna de Comunicação e Cultura Popular, analisou uma situação cotidiana vivida por uma amiga e desenvolveu um trabalho muito bacana de ler.
Não vou contar a situação para não estragar a graça de ler o trabalho, mas posso adiantar que a aluna exemplifica muito bem os processos de hibridização, estudados por Néstor García Canclini, que atravessam a sociedade contemporânea e se concretizam em cenários banais do cotidiano. Além disso, a partir do pensamento de Michel de Certeau, Emanuela também trabalha a questão da re-apropriação cultural através de artimanhas desenvolvidas por sujeitos inseridos em uma lógica social desigual, mas que buscam reverter essa questão através da astúcia.
"Este trabalho vai
discorrer sobre uma anedota do cotidiano do espaço urbano contemporâneo.
Ambientada no Rio de Janeiro, mais especificamente, no bairro de Botafogo,
aconteceu um diálogo que chegou aos meus ouvidos por uma amiga que tinha
vivenciado a experiência. Ela, moradora do bairro há anos, foi comprar uma
mudinha de planta quando se deparou com o preço exorbitante de vinte reais por
ela. Indignada, perguntou ao vendedor o que tinha acontecido já que estava
acostumada a pagar apenas 3 reais pelas mudinhas. A resposta dele foi sublime:
“Sabe como é, né? Botasoho. Agora todo mundo quer ter hortinha em casa.”, disse
ele com um tom malandro.
Se contra fatos não
há argumentos, a comparação muito bem colocada faz alusão ao bairro
originalmente londrino que também tem sua versão nova iorquina. Por mais que em
Nova Iorque o Soho seja uma abreviação de South of Houston, ambos espaços urbanos tem similaridades no sentido de
que foram áreas revitalizadas. Em Londres,
“É um distrito de entretenimento que, durante a última parte do século XX, adquiriu certa reputação devido aos seus sex shops e por sua vida noturna, assim como à indústria
cinematográfica.
Desde o início da década de 1980 a área passou por uma transformação considerável, e é atualmente um distrito
moderno, com restaurantes finos e escritórios de empresas da mídia, com alguns poucos estabelecimentos ainda ligados à
chamada indústria do
sexo no lado oeste da área.”
Sobre o Soho de NY:
“Notável por ser o local onde muitos artistas possuem lofts.
No bairro existem galerias de arte, e também, mais recentemente uma grande
variedade de lojas e estabelecimentos comerciais que vão desde boutiques de
moda a lojas de luxo nacional e cadeias de lojas internacionais. A história da
região é um exemplo arquetípico de regeneração do centro da cidade, abrangendo
desenvolvimentos sócio-econômicos, culturais, arquitectónicos e políticos.”
Podemos concluir, portanto, que são espaços
de uma boemia abastada, de artistas de classe média, centros comerciais de dia
e cenário para quem gosta de aproveitar a noite. Com resquícios da origem
boêmia, criou-se uma aura elegante nesses bairros que passaram a ser polo de
consumo daquilo que está despontando nas listas sociais do que vale a pena
consumir. Ou seja, daquilo que está na moda."
Confira o trabalho na íntegra aqui!
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