Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de novembro de 2022

Identidades Culturais na Contemporaneidade - Trabalhos Finais - Análise da série I May Destroy You (2020)

 


Para a avaliação final da disciplina Identidades Culturais na Contemporaneidade, as alunas Indaiá Mattos, Luciana Toledo e Sarah Roque produziram uma análise série I May Destroy You, disponível na HBO Max.

Lançada em 2020 e com apenas 1 temporada, a série é escrita, dirigida e estrelada por Michaela Coel. Na série, somos apresentados a Arabella, uma jovem mulher londrina de ascendência ganesa que ganha visibilidade como escritora após viralização de seus textos no Twitter. Em uma noite com amigos, Arabella é dopada e estuprada e é a partir deste conflito que a trama se desenvolverá. A série é uma ficcionalização de um abuso sofrido pela atriz e diretora Michaela Coel, que aconteceu enquanto as gravações de sua primeira série, Chewing Gum, aconteciam. Ainda que a narrativa tenha como foco questões como assédio, consentimento, feminicídio e o movimento Me Too, a série também traz consigo reflexões importantes sobre memória, identidade e representação.

Para ler o trabalho completo clique aqui. 



Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Identidades Culturais na Contemporaneidade - Trabalhos Finais - Ciclo Sem Fim: Identidade Enquanto Questão em "O Rei Leão"

 


Para a avaliação final de Identidades Culturais na Contemporaneidade, o aluno Daniel Filipe Silva Moraes fez uma análise do produto midiático pensando a relação do mesmo com a questão das identidades. Para tanto, o produto midiático escolhido foi o filme “O Rei Leão” (1994), da Walt Disney Pictures, e, no trabalho, buscarei traçar algumas formas como “identidade” pode ser encarada como parte chave nesta animação.

Para ler o trabalho completo clique aqui. 



Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Teorias Críticas de Midia - Trabalhos Finais - A Grande Família e a Praça Pública na TV

 


Para finalizar a disciplina Teorias Críticas de Midia, o aluno João Pedro Ferreira Soares desenvolveu uma análise do programa A Grande Família.

Ao longo de 485 episódios e 11 temporadas, o seriado de comédia A Grande Família produzido e exibido pela TV Globo conquistou o público e é considerado hoje um dos grandes marcos na história da televisão brasileira. De 2001 à 2014 a produção que almejava representar uma família de classe média baixa na TV, aos moldes do que poderia ser encontrado pelos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro, lançou moda, ditou tendências e se transformou ao longo dos anos, subtraindo e somando personagens, transformando suas relações profissionais e pessoais e, acima de tudo, buscando atravessar a primeira década e meia do século XXI a eboque do público, que poderia encontrar na tela da televisão um pouco dos temas e discussões mais efervescentes da sociedade brasileira à época, incrementados por um roteiro por vezes considerado simplista e generalista, já em outras despretensioso, ácido e até mesmo calcado no absurdo, que tentava emular o dia a dia de um país que via a ascensão da chamada “nova classe C”, justamente a classe popular que deu origem ao conceito do seriado.

Para ler o trabalho completo clique aqui. 


Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Identidades Culturais na Contemporaneidade - Trabalhos Finais - Notas Etnográficas Sobre o "Brasil" do Reddit

 


Para finalizar a disciplina Identidades Culturais na Contemporaneidade, o aluno João Pedro Ferreira Soares desenvolveu uma análise etnografica do site Reddit.

Atualmente, as possibilidade de interação, trocas de experiências e expressão ultrapassam os limites do mundo físico. Com o advento da Internet, novas possibilidades de comunicação surgiram, principalmente através das redes sociais digitais. Dentre as principais redes sociais da atualidade está o Reddit. O Reddit funciona como um agregador geral de notícias, que podem ser compartilhadas e comentadas por pessoas de todas as partes do mundo pelos chamadas subreddits, que são comunidades específicas sobre assuntos específicos presentes nesse grande agregador geral que é a plataforma. Reddit vem do inglês "read it" ou "leia isto", em português, e não há limites para o que pode se transformar em uma comunidade para criar e compartilhar conteúdos a serem lidos. Filmes, games, religião, política, literatura, TV - tudo pode gerar uma nova comunidade na plataforma. Pelas comunidades, pessoas desconhecidas ao redor do mundo podem se unir para debater um tema - compartilhando gostos, valores e estilos de vida.

Para ler o trabalho completo clique aqui. 



Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

Teorias Críticas de Midia - Trabalhos Finais - Análise de Euphoria (HBO)

 


Para finalizar a disciplina Teorias Críticas de Midia, as alunas Indaiá Mattos, Luciana Toledo e Sarah Roque desenvolveram uma análise da série “Euphoria”, disponível na HBOMax.

Adaptada pelo produtor e roteirista estadunidense Sam Levinson, Euphoria é baseada em uma série israelense de mesmo nome. Transmitida pela HBO, a série retrata a vida e o cotidiano de jovens que frequentam o mesmo colégio, bem como suas relações, traumas e afetos. A trama é focada na personagem Rue, uma jovem recém saída da reabilitação adicta em opióides, que de volta à vida escolar tenta se adaptar à sobriedade novamente. Ainda que o ponto de partida da narrativa seja o retorno de Rue, ao longo de 8 episódios, o espectador também é apresentado à vida de outros personagens que enriquecem a trama e trazem à tona outros conflitos.

Sendo definida pela crítica como uma série sobre fissura, Euphoria é considerada a série da geração z, definida pelo uso de aplicativo de relacionamentos, sites de pornografia, mensagens de texto e nudes, uma geração hiperestimulada e portanto, blasé. Pretendemos com este trabalho analisar a produção sob as lentes dos teóricos George Simmel e Zygmunt Bauman a fim de investigar como os sintomas modernos de mal estar contemporâneo se relacionam à trama.


Para ler o trabalho completo clique aqui


Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Identidades Culturais na Contemporaneidade - Trabalhos Finais - Identidade e Representação em Ms.Marvel

 



Para finalizar a disciplina Identidades Culturais na Contemporaneidade, o aluno Alcir Guilherme desenvolveu uma análise série Ms. Marvel, disponível no Dinsey+.

A série Ms. Marvel tem como protagonista uma jovem de 16 anos de origem paquistanesa chamada Kamala Khan que vive em Nova Jersey junto com seus pais conservadores e seu irmão mais velho, gosta de escrever fanfics e é fascinada em heróis, especialmente a Capitã Marvel. Kamala tem que enfrentar diversos problemas para poder e encaixar na sua família e fazer amigos na escola, mas a jovem geek vê sua vida mudar rasticamente quando adquire poderes e por causa disso tem que aprender a equilibrar sua vida como super-heroína e a vida escolar. Além disso, tem que saber lidar com as dificuldades de pertencer a uma família mulçumana, vivendo nos Estados Unidos.

Por se tratar de uma série da Marvel HQ, a história é centrada no embate entre herói e vilão, bem e mal, o diferencial desta série em comparação com as outras disponíveis no Disney+ é que Ms. Marvel não traz uma heroína puramente americana, mas paquistanesa somando-se e somado a este fato nos apresenta uma cultura pouco conhecida, possibilitando o conhecimento sobre os costumes e os abusos das autoridades policiais sobre os mulçumanos, principalmente pelo que aconteceu no 11 de setembro.

Para ler o trabalho completo clique aqui



Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Teorias Críticas de Midia - Trabalhos Finais - Análise do filme “Dancing Queens”


Para finalizar a disciplina Teorias Críticas de Midia, a aluna Natacha Ferreira Moreira desenvolveu uma análise do filme “Dancing Queens” usando os conceitos de Erving Goffman e Pierre Bourdieu, que foram discutidos durante o período.

“Dancing Queens” (2021) é um filme sueco dirigido por Helena Bergström, produzido pela Sweetwater Production e distribuído pela Netflix. Na trama, Dylan Pettersson é uma dançarina de disco que mora em uma pequena ilha. Ao ir para a cidade para uma audição de uma companhia, os eventos acabam a levando a ser faxineira em um clube de drag. Ela conhece Victor, um coreógrafo que está tentando tirar o clube da falência iminente ao modernizar a apresentação do grupo da casa. Ao descobrir o talento de Dylan, Victor fica tentado a contratá-la. Só tem um problema: Dylan é uma mulher e mulheres não podem ser drag queens. Querendo aproveitar essa oportunidade de se expressar pela dança, Dylan decide se passar por um homem para conseguir uma vaga no grupo.

Para ler o trabalho completo clique aqui


Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia

Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

Identidades Culturais na Contemporaneidade - Trabalhos Finais - A questão das identidades apresentada no disco “Da Lama Ao Caos” e a influência no movimento Manguebeat

 


Para finalizar a disciplina Identidades Culturais na Contemporaneidade, as alunas Ana Clara Martins, Ana Luise Duniec e Lara Ribas desenvolveram uma análise de "Da Lama ao Caos", álbum da Nação Zumbi.

Pernambuco, ano de 1990. De acordo com o Population Crisis Comitee, Instituto de Washington D.C, R, Recife era a quarta pior cidade do mundo para se viver, carregando elevados índices de violência e desemprego. Nesse mesmo cenário, as políticas neoliberais marcavam um avanço cada vez maior, ao passo que as políticas públicas socioculturais passavam por uma redução significativa. Foi em meio a esse contexto que, em 1994, a banda Chico Science & Nação Zumbi lançou o seu primeiro álbum, “Da Lama ao Caos”.

As letras, a estética sonora e os discursos expostos na obra, com maior parte das composições elaboradas por Chico Science, fizeram com que o disco se tornasse uma das maiores representações do movimento Manguebeat, destacando toda a sua potência. Os principais objetivos da cena Mangue giravam em torno da ocupação de espaços e produção de manifestações culturais que questionassem aquela realidade social, sempre considerando a importância do senso coletivo, ou seja, da urgência de atuar em conjunto.

Conforme Ramos (2019), o Manguebeat trouxe uma inovação ao conferir significado público às mídias massificadas, buscando oferecer maior acessibilidade à produção regional, criando sentido de pertencimento à população que desejava uma alternativa às práticas culturais pautadas nos valores tradicionais. Sendo assim, a cena Mangue traz um novo olhar para a cultura local e urbana, tornando possível a construção de novas identidades culturais. Já que o álbum de Chico Science & Nação Zumbi consiste em uma das produções pioneiras do movimento, o presente trabalho tem como objetivo avaliar como questões relacionadas às identidades culturais, sociais e individuais são colocadas na obra, ampliando o debate para a cena Manguebeat. Apesar da complexidade envolvida no conceito de identidade, serão apresentados autores que trouxeram contribuições fundamentais para o debate.


Para ler o trabalho completo clique aqui. 


Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia

Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI


Teorias Críticas de Midia - Trabalhos Finais - Daniel Sloss Live Show: Quebra-Cabeça Análise de Conteúdo Midiático



Para finalizar a disciplina de Teorias Críticas de Midia, os alunos Clarice Oliveira dos Anjos e Yan Gomes desenvolveram uma análise do especial de comédia "Daniel Sloss: Live Show", usando conceitos de Guy Debord sobre a Sociedade do Espetáculo e de Antonio Gramsci sobre Consenso e Discurso, além de passar pontualmente pelo raciocínio de Izabel Cristina Rios, desenvolvido no artigo O Amor em Tempos de Narciso (2008).

O objeto desta análise é o segundo dos 2 episódios do especial de comédia: Daniel Sloss: Live Show, “Quebra-cabeça”. O show pode ser assistido na plataforma de streaming Netflix e, ao longo dele, o comediante trata de assuntos sociais, íntimos e delicados de maneira direta e humorística, com críticas ácidas e, definitivamente, indelicadas. Em Quebra-cabeça, o conteúdo analisado neste trabalho é o que está presente a partir de 31’20’’ de show, em que Daniel leva a platéia à uma reflexão sobre a idealização de amor e os caminhos que isso determina nos relacionamentos.


Para ler o trabalho completo clique aqui. 


Postagem: Julieverson Figueredo - graduando de Estudos de Mídia

Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais - Análise do álbum “Goela Abaixo” - Liniker e os Caramelows


Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, a aluna Livia Maria Hora fez uma análise sobre o álbum “Goela Abaixo” de Liniker e os  Caramelows através de de conceitos trabalhados na disciplina e de sua própria experiência com o álbum. 


"Somos tão subjugados o tempo inteiro, estamos sempre ansiosos, sempre com a sensação de que podemos ser trocados, sabemos que a força do Estado pode operar sobre nós a qualquer instante, temos que nos esgoelar para receber o mínimo de respeito e o mínimo de humanidade, que às vezes tudo o que queremos é um descanso. Uma pausa para sentirmos que somos seres humanos. Um momento de paz e troca para não nos perder completamente. O carinho na goela é uma demonstração de que não precisamos mais gritar."

Para ler o trabalho completo clique aqui. 



Postagem: Giulia Jesus - graduanda de Estudos de Mídia/

Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Referências do Episódio 6 do Podcast Papinho, em outubro de 2020 - Gramsci, a construção do consenso e o discurso midiático

Antonio Gramsci, o pensador italiano, é nosso escolhido para o Papinho número 6. Vamos falar especialmente da sua teoria do Estado ampliado, entendendo o que ele pensa sobre o consenso e a hegemonia. A partir de seu pensamento, conversei no Papinho sobre a construção do consenso através da mídia contemporânea, elegendo seis pontos para nos servirem de eixos analiticos. Ficou bem rico! 

Para ouvir o Papinho ep.06:

- Link 1 - Anchor

- Link 2 - Spotfy

Para acompanhar a escuta do Episódio 6, consulte o PDF pra salvar - parte 6.

Vamos disponibilizar aqui uma relação das referências que embasaram o episódio, citadas ou não no decorrer do mesmo, em ordem de aparecimento no decorrer do Papinho 6:

1 - Sobre Antonio Gramsci - 1) Wikipedia; 2) Revista Galileu; 3) Nova Escola

2 - Sobre o signo de Aquário

3 - Sobre o Fascismo de Mussulini

4 - GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. 6 vols. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

5 - GRAMSCI, A. Cartas do cárcere. 2 vols. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

6 - GRAMSCI, A. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966. 

7 - GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 1968

8 - GRAMSCI, A. Maquiavel, a política e o Estado moderno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 1968.

10 - Episódio Um Chazinho com Gramsci - com Ana Enne

11 - Textos de Sônia Mendonça sobre Gramsci:

- MENDONÇA, Sônia. "O Estado Ampliado como Ferramenta Metodológica". Marx e o Marxismo v.2, n.2, jan/jul 2014.

 - MENDONÇA, Sônia. "SOCIEDADE CIVIL EM GRAMSCI: Venturas e Desventuras de um Conceito". IN: PAULA, Dilma Andrade de; MENDONÇA, Sônia Regina de (Org.). Sociedade Civil. Ensaios históricos. Jundiaí, SP: Paco Editorial, 2013.

12  - Textos de Dênis de Moraes sobre Gramsci:

- MORAES, Dênis de. "Comunicação, hegemonia e contra-hegemonia: a contribuição teórica de Gramsci". IN Revista Debate, v.4, n.1, 2010.

- MORAES, Dênis de. "O jornalista Antonio Gramsci". IN: Blog da Boitempo, novembro de 2013.

- MORAES, Dênis. Crítica da Mídia & Hegemonia Cultural. Rio de Janeiro: Editora Mauad/Faperj, 2016.

13 - Textos de Carlos Nelson Coutinho sobre Gramsci

- COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento politico. Rio de Janeiro. Campus, 1992.

- COUTINHO, Carlos Nelson. O leitor de Gramsci: escritos escolhidos 1916-1935. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

- COUTINHO, C.N. e KONDER L. "Nota sobre Antonio Gramsci". GRAMSCI, Antonio. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.

- COUTINHO, Carlos Nelson. "A presença de Gramsci no Brasil". IN: Revista Em Pauta, n.22, 2009.

14 -  MAQUIAVEL, Nicolaus. O Príncipe. São Paulo: Penguin / Companhia das Letras, 2010.

15 - LIMA, Rômulo André. "Notas Sobre a Teoria do Estado em Marx". 6º Colóquio Internacional Marx e Engels – CEMARX. UNICAMP – Campinas 3-6 de novembro, 2009.

16 - LENIN, Vladimir Ilitch. O estado e a revolução. Texto de 1917 disponível em The Marxists Internet Archive.

17 - Sobre a Teoria das Elites

18 - BOURDIEU, P. "A opinião pública não existe".  In: THIOLLENT, Michel. Crítica Metodológica, investigação social e enquete operária. São Paulo : Polis, 1981.

19 - sobre o mito do Centauro

20 - Ciclo de estudos sobre a Formação do Estado Moderno Ocidental no GRECOS - leituras de 2016, leituras de 2017 e leituras de 2018

21 - Fotos Grupo de Bolsistas "Instável Equilíbrio" (2008/2010) - Ana Enne, Renato Reder, Gyssele Mendes, Bruno Thebaldi e Ana Beatriz Paes  - Estudos de Mídia/UFF

22 - Para saber mais sobre o Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI)

23 - GINZBURG, Natalia. Léxico familiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

24 - Sobre Natalia Ginzburg

25 - Sobre Carlo Ginzburg

26 - Textos sobre contra-hegemonia não ser um conceito de Gramsci:

- DORE, Rosemary e SOUZA, Herbert Glauco de. "Gramsci nunca mencionou o conceito de contra-hegemonia". IN Cadernos de pesquisa, v.25, n.3, 2018.

- SOUZA, Herbert Glauco. Contra-hegemonia: um conceito de Gramsci?. Dissertação de Mestrado em Educação: Conhecimento e Inclusão Social, UFMG, 2003. 

27 - Sobre a região da Sardenha

28 - sobre epíteto

29 - Sobre cultura e sua polissemia - CUCHE, Denys. A noção de Cultura nas Ciências Sociais. Florianópolis: EDUSC, 2002.

30 - Sobre cultura como produção discursiva:

- HALL, Stuart. "A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo". Educação e Realidade, v, 22, n.2, 1997.

- Episódio Cozinhando com Stuart Hall - com Ana Enne (em seis partes)

31 - BARBOSA, Marialva. "Imprensa e poder no Brasil pós-1930". IN: Em Questão, Porto Alegre, v.12, n.2, 2006.

32 - MATHEUS, Letícia. "Leituras de salão: suportes de sociabilidade pela fofoca". In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 29, 2006, Brasília. Anais. São Paulo: Intercom, 2006.

33 - HOBSBAWM, E. Nações e nacionalismos desde 1780: programa, mito e realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

34 - Sobre a história da Itália - BERTONHA, João Fábio. Os italianos. São Paulo: Contexto, 2005.

35 - Sobre os Estudos Culturais Britânicos

36 - BAKTHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2014.

37 - Sobre E.P. Thompson

38 - Sobre Raymond Williams

39 - WILLIAMS, Raymond. Cultura e materialismo. São Paulo: Unesp, 2011.

40 - Sobre Stuart Hall

41 - HALL, Stuart. "Notas sobre a desconstrução do popular". IN: Da diáspora. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.

42 - HALL, S. Cultura e representação. Rio de Janeiro: Epicuri, 2017.

43 - BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

44 - Página no Facebook da Caneta Desmanipuladora

45 - Papinho 03 sobre Marx - com Ana Enne

46 - Episódio Cozinhando com Foucault - com Ana Enne (em 5 partes)

47 - Para saber mais sobre a Pesquisa PIBIC Ensino Médio "Memórias como resistências aos enquadramentos da representação midiática hegemônica sobre os múltiplos territórios na cidade do Rio de Janeiro", realizada em parceria LAMI/UFF e ODHE/ETEAB/FAETEC - ver site do LAMI

48 -Textos sobre a caneta desmanipuladora:

- BORGES, L. "CANETA DESMANIPULADORA: mídia e manipulação". Trabalho apresentado ao Centro Universitário de Brasília (UniCEUB/ICPD) como pré-requisito para obtenção de Certificado de Conclusão de Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Revisão de Textos. UNICEUB, 2016.

- AMARAL, Maria Cristina. "Caneta desmanipuladora, midiativismo e a crítica à imprensa”. IN: Anais do VII Seminário Internacional de Pesquisas em Mídia e Cotidiano. Niterói, PPGMC, 2017.

49 - Sobre as Pós-Graduações stricto senso nas áreas de cultura e comunicação do IACS/UFF, onde são produzidos muitos dos trabalhos que cito nos Papinhos

50 - Papinho 5 sobre Simmel e Bauman - com Ana Enne

51 - BAUMAN, Z. Confiança e medo na cidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

52 - CALDEIRA, T. Cidade de muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34, 2011.

53 - HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

54 - MOSCOVICI,  S. Cap. 1 "A representação social: um conceito perdido". IN: A representação social da Psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar, 1978., 

55 - JODELET, Denise. "Representações sociais: um domínio em expansão". In: JODELET, D. (Org.). As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001.

56 - LACERDA, Paula. O drama encenado: assassinatos de gays e travestis na imprensa carioca. 2006. 127 p. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 2006

57 - RIBEIRO, Luciana. #EMPODERE: ENFRENTAMENTO FEMINISTA COM O USO DE HASHTAGS NO COTIDIANO ONLINE. Dissertação de mestrado em Mídia e Cotidiano. Niterói: UFF, 2019.

58 - LAPROVITA, Viviane. Eu sou mulher no poder – mulheres negras em movimento: resistência e reação na cidade. Dissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niterói: UFF, 2019.

59 - BRASILIENSE, Danielle. Tessituras narrativas de O Globo e o acontecimento Chacina da Candelária Dissertação de mestrado em Comunicação. Niterói: UFF, 2006.

60 - MATHEUS, Letícia. Elos, temporalidades e narrativas: a experiência contemporânea do medo em O GloboDissertação de mestrado em Comunicação. Niterói: UFF, 2006.

61 - BORGES, Wilson. Narrativas jornalísticas como produção material da cultura: a presença do imaginário na construção ideológica em torno da criminalidade. Tese de doutorado em Comunicação. Niterói: UFF, 2009. 

62 - ÁVILA, Ana Luiza Vasconcellos. O impacto do discurso midiático sobre violência na efetivação de políticas públicas. Monografia em Comunicação. Niterói: UFF, 2019.

63 - THOMAZ, Paolla. A construção social do inimigo: análise discursiva do Jornal do SBT na legitimação da violência. Monografia em Estudos de Mídia. Niterói: UFF, 2016.

64 - CARVALHO, Nicia Dias. O caso Claudia Lessin Rodrigues e a violência contra a mulher na mídia. Monografia em Comunicação. Niterói: Universo, 2002.

65 - MENDONÇA, Kleber. A "pacificação" dos sentidos: mídia e violência na cidade em disputa. Rio de Janeiro: Caravanas, 2018.

66 - Episódio Cozinhando com o povo de memória - com Ana Enne (em 6 partes)

67 - GUERRIEIRO, Lídice. Educação e visibilidade: os saberes em construção na Agenda 21 local do município de Itaboraí, RJ. Dissertação de mestrado em Educação. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013.

68 - CARNEIRO, Carolina Zoccoli. “Caos no clima”: sensacionalismo, comunicação da ciênciae a narrativa de O Globo sobre o aquecimento global. Dissertação de mestrado em Comunicação. Niterói: UFF, 2008.

69 - Porta dos fundos - Polêmica da semana: vacina

70 - Sobre significado de meme

71 - Sobre o significado de fakenews

72 - DURKHEIM, E. Sociologia e filosofia. São Paulo: Edipro, 2005

73 - GIDDENS, A. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 2002.

74 - CUPOLILLO, Fernanda. Conselhos para endireitar destinos e ocultar a morte: uma análise das perspectivas behaviorista e evolucionista em Época, Veja e Istoé. Dissertação de mestrado em Comunicação. Niterói: UFF, 2008.

75 - COSTA, Vânia Torres. À sombra da floresta: os sujeitos amazônicos entre estereótipo, invisibilidade e colonialidade no telejornalismo da Rede Globo. Tese de doutorado em Comunicação. Niterói: UFF, 2011.

76 - BELO, Jordana. Alicerce de favela: romper brechas no colonial, horizontalizar o vertical. Dissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niteroi: UFF, 2019.

77 - OLIVEIRA, Ohana Boy. “O que o mundo separa, o Esquenta! junta?": como representações e mediações ambivalentes configuram múltiplos territórios. Dissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niteroi: UFF, 2015.

78 - MENDONÇA, Kleber. A punição pela Audiência: um estudo do Linha Direta. Rio de Janeiro, Quartet/FAPERJ, 2002.

79 - ENNE, Ana Lucia Silva; PROCÓPIO, Victória Machado Guedes"Ansiedade e afeto como categorias-chave em narrativas literárias e midiáticas infanto-juvenis contemporâneas: uma abordagem a partir dos Estudos Culturais". Parágrafo, [S.l.], v. 7, n. 1, p. 48, maio 2020

80 - OLIVEIRA, Bruno Pacheco. Comunicação e identidade: desafios para um protagonismo indígenaDissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niteroi: UFF, 2014.

81 - PINTO, Flora Daemon. Sob o signo da infâmia: jovens homicidas/suicidas e as estratégias comunicacionais de inscrição post mortem. Tese de doutorado em Comunicação. Niteroi: UFF, 2014.

82 - CAMINHA, Marina. Retrato Falado: Uma fábula cômica do cotidiano. Dissertação de mestrado em Comunicação. Niterói: UFF, 2006.

83 - ENNE, Ana Lucia. "Representações sociais como produtos e processos: embates em torno da construção discursiva da categoria “vândalos” no contexto das manifestações sociais no Rio de Janeiro em 2013". IN: História e Cultura, v.2, n.2, 2013. 

84 - COSTA, Lilian Michelli Giovanelli. #OcupaCairu: juventude e luta política a partir da ocupação de uma escola no subúrbio do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niterói: UFF, 2017.

85 - Sobre as pesquisas "Jovens urbanos e redes comunicacionais: mapeamento de movimentos sociais contemporâneos e seus múltiplos formatos" e "Resistências e re-existências: práticas de comunicação e construção de identidades entre jovens moradores da Baixada Fluminense" - ver site do LAMI

86 - ENNE, Ana L. Conexões entre juventude, consumo e mídia: múltiplas formas de atuação e apropriação. In: Paulo Carrano; Osmar Fávero. (Org.). Narrativas Juvenis e Espaços Públicos: Olhares de pesquisas em educação, mídia e ciências sociais. 1ed.Rio de Janeiro: FAPERJ; EDUFF, 2014.

87 - ENNE, Ana L. "A favela tá atuando e dispensando os dublês? : a construção, consolidação e expansão de múltiplas redes culturais e comunicacionais a partir de favelas e periferias do Rio de Janeiro. In: FERNANDES, C.; MAIA, J.; HERSCHMANN, M.. (Org.). Comunicações e Territorialidades. Rio de Janeiro em cena.. 1ed.São Paulo: Anadarco, 2012, v. , p. 25-48.

88 - ENNE, Ana L. "Práticas midiáticas e disputas por hegemonia: reflexões a partir de estudos de caso na Baixada Fluminense". In: Eduardo Granja Coutinho. (Org.). Mídia e Hegemonia. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 2008, v. , p. 195-215.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: Roxanne Roxanne



Para o trabalho final de Sociologia e Comunicação de 2018.1, a aluna Morena Mariah explora  o filme Roxanne Roxanne, que narra a vida de uma rapper norte-americana e trabalha com conceitos como o de Lugar de Fala com Djamila Ribeiro e discorre sobre as invisibilidades da mulher negra tanto no produto audiovisual quanto na materialidade da vida real.

"A invisibilidade das narrativas de mulheres negras em toda a historiografia ocidental se repete também na vivência da personagem Roxanne, que mesmo sendo uma das principais precursoras do movimento hip hop nos Estados Unidos, enfrenta diversas situações de machismo e invisibilização, tanto na ficção quanto na história real. A própria iniciativa de produção deste filme por parte de Pharrell Williams é uma tentativa de visibilizar a trajetória de uma artista pouco conhecida dentro da própria cena do hip hop mundial. Djamila Ribeiro sobre as possibilidades de o direito à voz diz:
  “Mulheres negras, por exemplo, possuem uma situação em que as possibilidades são ainda menores – materialidade! – e, sendo assim, nada mais ético do que pensar em saídas emancipatórias para isso, lutar para que elas possam ter direito à voz e melhores condições. Nesse sentido, seria urgente o deslocamento do pensamento hegemônico e a ressignificação das identidades, sejam de raça, gênero, classe para que se pudesse construir novos lugares de fala com o objetivo de possibilitar a voz e visibilidade a sujeitos que foram considerados implícitos dentro dessa normatização hegemônica.” (RIBEIRO, 2017)"

Clique aqui para ler o trabalho completo.

Postagem: Victória Guedes - graduanda de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Mídia e Sensacionalismo - Trabalhos Finais: A perna cabeluda: de protagonista das narrativas de terror nas páginas policiais do Recife a mito do folclore pernambucano


A aluna Renata Menezes Constant nos conta o desenrolar do assombro da Perna Cabeluda em Pernambuco e sua popularidade nos jornais locais. Esse trabalho foi realizado para a disciplina de Mídia e Sensacionalismo 2018.1 e ilustra as discussões realizadas em sala sobre os discursos da mídia e as utilizações de recursos melodramáticos e sensacionais.

"A partir da leitura das matérias em torno da aparição da perna cabeluda, é possível perceber que o Diário de Pernambuco se utilizava de uma linguagem sensacionalista em suas narrativas, inspirada em romances policiais, tendo em vista que apresenta um suposto delito (as agressões e aparições da perna cabeluda), que culminavam em um mistério, e sempre traziam pessoas que buscavam desvendar o caso, sejam as autoridades religiosas ou mesmo a população em geral, que dava sua opinião sobre os motivos para o surgimento da aparição."

Clique aqui para ler o trabalho completo.


Postagem: Victória Guedes - graduanda de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Blog do GRECOS indica: site do NEMES

O Blog do GRECOS indica o site do Núcleo de Estudos de Mídia, Emoções e Sociabilidade - NEMES, coordenado pelo prof. João Freire Filho, ECO/UFRJ, e tendo como vice-coordenadores os profs. Mayka Castellano e Tatiane Leal.

No site, conforme divulgação, "além da produção intelectual dos participantes do grupo de pesquisa, há um arquivo atualizado de notícias sobre emoções e temas afins".

Parabéns e vida longa ao NEMES!






quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "Conservação e transformação da estrutura social no filme A Vizinhança do Tigre"


Ingá Maria, aluna da disciplina Sociologia e Comunicação de 2017.1, propõe uma reflexão sobre o filme A Vizinhança do Tigre, longa-metragem brasileiro, dirigido por Affonso Uchoa, que trata da trajetória de Juninho, Eldo, Adilson, Menor e Neguinho, jovens moradores da periferia de Contagem/MG, na "travessia entre a infância e a vida adulta, pelas ruas, terrenos, casas e quintais do Bairro Nacional, Região Metropolitana de Belo Horizonte". Para compor esta reflexão, ela recorre à contribuição de Pierre Bourdieu sobre a relações de divisão do campo de poder e sua teoria social do Construtivismo estruturalista/Estruturalismo construtivista.

"Se aplicarmos essa chave de leitura para A Vizinhança do Tigre, rapidamente percebemos a expressão inegável de uma estrutura social que incide sobre os corpos e as práticas dos sujeitos filmados. Junim precisa pagar a dívida que contraiu com agiotas dentro da prisão. O campo do poder, comparável para Bourdieu com “um espaço geográfico no interior do qual se recortam posições” também se faz presente e ainda na primeira sequência do filme, um dos garotos recebe uma carta de intimação da justiça. Até mesmo os poderes sociais fundamentais, que o sociólogo denomina de capitais, encontram sua manifestação econômica nas casas sem reboco ou sua expressão cultural através da associação fácil entre meninos da periferia e o gosto pelo rap".

Assista ao trailer do filme:


Clique aqui para ler o trabalho completo.


Postagem: Matheus Bibiano - graduando de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Comunicação e Cultura Popular - Trabalhos Finais: Mangue Beat: O mangue e o mundo



Mohandas Souza, aluno da disciplina de Comunicação e Cultura Popular de 2017.1, traz uma discussão sobre identidade, hibridismos e a relação entre o local e global no caso do Mangue Beat, um movimento cultural recifense que mistura o maracatu e outros ritmos regionais com o rock, hip hop, funk e música eletrônica.

"O mangue é um conceito que visa à instauração de todo um cosmos geográfico, político, estético e cultural. O conceito de mangue é apresentado como uma área no limite entre o rio e o mar, moldado ao sabor do devir das marés, onde as trocas entre água doce e salgada geram um dos mais férteis berçários da vida. Sem deixar de considerar que a diversidade, a fertilidade e a riqueza das possibilidades de vida deste ecossistema possam ser ocasionalmente nocivas, como os mosquitos que também se proliferam ali. Este ecossistema conceitual é associado, em seguida, à cidade que o aterrou para se construir acima dele, a partir da expulsão dos holandeses ainda no século XVII. O delírio do progresso submeteu o mangue à proposta de ser uma metrópole, o que ele não pode ser. Assim, com suas veias interditadas pelo aterro, o mangue sucumbe à falta de arejamento de suas vias, enquanto Recife sofre pela miséria e caos urbano".

Clique aqui para ler o trabalho completo.

Postagem: Matheus Bibiano - graduando de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Comunicação e Cultura Popular - Trabalhos Finais: "Apropriação do funk como instrumento de ensino nas escolas"

Andressa Teixeira, aluna da disciplina de Comunicação e Cultura Popular, faz uma excelente reflexão sobre os usos da cultura e suas constantes imbricações cotidianas. Através da contribuição de Michel de Certeau sobre as táticas e modos de fazer com na vida cotidiana, Raymond Williams na conceituação da cultura enquanto aspecto constante e ordinário na experiência humana e Homi Bhabha, juntamente com Nestor Canclini acerca do debate sobre hibridismos culturais, a aluna reflete sobre os usos da parodio enquanto forma de aproximação e hibridismo entre as culturas popular e erudita. Junto a isso, Andressa nos dá o exemplo de sua experiência como professora em uma escola pública em São Gonçalo/RJ. No vídeo abaixo, ela utiliza a parodia do funk "Vai embrazando" de MC Zaac part. MC Vigary para o ensino/aprendizagem dos 4 "porquês" em uma aula de Língua Portuguesa: 

"Chamei meus amigos / Pra ir lá pra casa / Estudar pra prova / Que vai ter na quarta / Se liga só que essa prof é aliada (2x) / Parodiou para lembrar a regra básica / Separa e não acentua pra pergunta / Mas repara: na resposta ele se junta / Todo confuso com os porquês você estava / Agora sabe quase tudo dessa aula / Se couber “por que motivo”, cê separa isso daí / E deixa sem acento pra prof não corrigir / Vai estudando an an an an an an (4x) / Chamei meus amigos / Pra ir lá pra casa / Estudar pra prova / Que vai ter na quarta / Se liga só que essa prof é aliada / Parodiou para lembrar a regra básica / Não separa se for substantivado / E acentua / Para ficar adequado / Se estiver no final da frase, cê separa / E coloca o circunflexo na palavra (2x) / Vai estudando an an an an an an.”

Assista o vídeo da paródia:


Clique aqui para ler o trabalho completo.

Postagem: Matheus Bibiano - graduando de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI

segunda-feira, 12 de junho de 2017

"A cultura como recurso – desdobramentos dos Estudos Culturais, uma entrevista com George Yúdice*



No que tange a importância dos estudos sobre os usos das formas culturais, George Yúdice tem muito a nos ensinar. O Diretor do Departamento de Línguas e Culturas Modernas da Universidade de Miami, em seu livro "A conveniência da cultura: usos da cultura na era global", disserta como são possíveis as articulações da cultura na contemporaneidade e as descreve como um recurso que opera na ambivalência. Seus usos e apropriações operam tanto àqueles que reivindicam políticas de identidade quanto ao Estado, que, por sua vez, detém do poder de validação e reconhecimento destas políticas. O autor americano também comenta que esses movimentos de usos da cultura são convenientes ao capital, cerceia a cultura como lugar de comodidade e limita as lutas ao discurso.

Em uma entrevista, concedida às professoras Marisa Vorraber Costa e Maria Lúcia Castagna Wortmann, em 2015, Yúdice comenta sobre os desdobramentos dos Estudos Culturais e os esquemas da pluralidade cultural brasileira e da América Latina de forma geral. Leia a entrevista completa abaixo.

Maria Lúcia: Professor Yúdice, eu inicio lembrando um antigo texto seu, intitulado O “Estado das Artes” dos Estudos Culturais, publicado no ano de 1993, no Brasil, em um livro intitulado Comunicação e Cultura Contemporânea. Naquele texto, que foi o primeiro que eu li sobre Estudos Culturais, o senhor fez uma resenha das vertentes inglesas, estadunidenses e latino-americanas dos Estudos Culturais. Eu gostaria de saber, passados tantos anos, como o senhor vê o desenvolvimento dos Estudos Culturais nessas três realidades? E, ainda, a partir da proposta do Centro de Birmingham, que aspectos o senhor considera terem sido abordados mais distintivamente nessas vertentes?

George Yúdice: Bem, eu acho que no caso da Inglaterra e dos países da Commonwealth houve uma preocupação com as políticas culturais e a sua incorporação aos Estudos Culturais. Isso gerou uma tensão, pois os Estudos Culturais analisam as relações de poder que estão na sociedade e que perpassam a cultura. Aliás, a cultura é o lugar onde concorrem diversos grupos de interesse, e a política cultural tem um programa muito mais pragmático, voltado a mostrar como se organiza a cultura, como ela se financia etc. A novidade que ocorreu, quando eu estava escrevendo aquele texto, foi a virada do contexto inglês e a do australiano. Mais ou menos, nessa mesma época, alguns intelectuais latino-americanos também se preocuparam com a questão da política cultural, principalmente no México, onde Garcia Canclini e outros colegas começaram a refletir sobre o que seria aceitar o Acordo de Livre Comércio (ALCA) com os Estados Unidos. Tal acordo obrigou os professores e os intelectuais a pensarem nas várias repercussões que teriam a ver com questões legislativas, no que diz respeito à cultura. Nesse momento, portanto, eu acho que se iniciou o desenvolvimento desta nova orientação dos Estudos Culturais, não mais somente centrada na questão da hegemonia gramsciana, que era o prato forte dos Estudos Culturais britânicos, mas destinada a estudar outras questões. Nos Estados Unidos, os Estudos Culturais basicamente continuam desenvolvendo estratégias no que tange às relações das minorias: mulheres, minorias sexuais, homossexuais, lésbicas, etc. Hoje, tanto no contexto europeu quanto no latino-americano, está se ponderando sobre as políticas públicas no campo da cultura, como vemos, com muito mais força do que antes.

M. L.: Então, nesse sentido, seu trabalho anda numa direção diferente desses estudos, porque, a partir da leitura de seu livro A conveniência da cultura: os usos da cultura na era global, algo que verdadeiramente me impressionou foi a amplitude e a diversidade de aspectos que o senhor aborda. Parece-me que seu trabalho lida com uma diversidade de movimentos sociais, transita pelas esferas institucionais e pelas organizações não governamentais (ONGs). O que me impressionou foram as muitas incursões que o senhor faz, nesse livro, a situações ocorridas em diferentes lugares, passando por Miami, nos Estados Unidos, Rio de Janeiro, no Brasil, Tijuana, no México. Enfim, parece-me que há uma peculiaridade no seu trabalho com relação a esses estudos.

Marisa: Eu prossigo indagando nessa mesma direção. Tenho grande curiosidade em saber como se deu seu interesse pela cultura latino-americana. Isso porque penso que um dos aspectos que nos aproxima, que nos atrai em seu trabalho, é exatamente o fato de encontrarmos tantos pontos de contato entre os olhares que dirigimos à cultura brasileira e às questões da educação com o que você tem escrito acerca da cultura latino-americana. Eu gostaria de saber como se deu essa aproximação com os estudos latino-americanos e por que o interesse pelas questões da América Latina?

G. Y.: Vou responder às duas perguntas. Nesse livro foram estudados vários casos que apresentam uma proposta teórica relacionada com o novo olhar a respeito da cultura. A cultura tem ligação com essa ideia de recurso. Ela se vale cada vez mais que isso, tanto para tentar resolver problemas sociopolíticos, por exemplo, de diversidade, de intolerância, quanto para ser um instrumento que impulsiona o crescimento econômico e a geração de emprego. Então, através desses casos, mostrou-se que essa preocupação não se limitava somente ao setor público, porque, na verdade, em todo o mundo, mesmo em países onde o Estado é muito forte, como na Europa, cada vez mais a empresa privada e o terceiro setor, o das ONGs e das fundações, estão se excedendo. A sociedade civil e os movimentos sociais tentam compreender como se está organizando e gerenciando a cultura. Esses setores devem ter uma ideia de como todas as forças públicas, privadas e o terceiro setor interagem. Depois disso, apresentei vários casos latino-americanos. Meu interesse pela cultura latino-americana é muito antigo. Começou com as letras, muitos anos atrás, nem vou dizer há quanto tempo. Os estudos das letras e das artes me levaram para os Estudos Culturais porque, em vários países da América Latina, as letras faziam parte de uma preocupação social. Muitos escritores tinham uma inquietude social, aliás, imensamente maior que nos Estados Unidos. Por exemplo, não se podia falar em literatura sem se falar em um escritor como Ferreira Gullar, que sempre esteve interessado nas questões sociais. Assim como ele, muitos outros também estavam e estão interessados numa arte engajada. Além disso, eu participava de um grupo, nos Estados Unidos, que estava começando a elaborar os Estudos Culturais, no final dos anos setenta. Portanto, eu fui a ponte entre esse grupo e vários intelectuais latino-americanos que analisavam a sociedade com esse novo olhar dos Estudos Culturais. Havia algumas perspectivas semelhantes, embora muitos deles nem tivessem lido sobre o grupo de Birmingham. Estou falando do final dos anos setenta e do começo dos oitenta, quando servi de elo, de interface para esses grupos. Porém, só no começo dos anos noventa consegui ter as condições institucionais necessárias para poder organizar encontros. Assim, por exemplo, Garcia Canclini e meu grupo organizaram um encontro sobre os Estudos Culturais no México, aonde chegaram muitas pessoas vindas do Brasil, da Argentina, da Venezuela, e de outras partes dos Estados Unidos. Com isso, acabei escrevendo um ensaio sobre as diferentes tendências desse encontro. Na época, nos Estados Unidos, eu notava uma preocupação, um grande interesse pelas questões de raça através da cultura. Já no Brasil e na América Latina isso ficava sempre em segundo plano. Evidentemente, hoje não! Outros assuntos, por exemplo os estudos sobre a sexualidade, já estavam bem elaborados nos Estados Unidos pelos Estudos Culturais, mas na América Latina eles ainda não aconteciam. Outra coisa que, na mesma época, ficou evidente na América Latina, era que também não se falava em performatividade, uma categoria importante nos Estados Unidos. Assim, havia algumas diferenças, mas muitas preocupações semelhantes. Interessei-me com intensidade, pois eu achava que os intelectuais latino-americanos que estavam trabalhando as questões culturais inovavam, produzindo ideias interessantes, numa perspectiva mais clássica, adorniana, como a Beatriz Sarlo, na Argentina, e mais “atualmente”, a Heloisa Buarque de Holanda, no Rio de Janeiro, que parecia sempre estar na ponta, trabalhando com Nega Giza e outras questões. Havia várias pessoas importantes envolvidas com o debate pós-moderno na América Latina. Naquele momento, em particular, via-se como isso ocorria no Brasil, principalmente, através do encontro realizado no começo dos anos noventa.

M.: De fato, alguns autores, principalmente os latino-americanos, tais como Garcia Canclini, têm se referido a isto: que o Brasil seria um país pós-moderno por excelência, devido às características plurais de sua cultura, às diferentes culturas étnico-raciais e religiosas que convivem entre si e a uma certa abertura dos brasileiros em geral, e da própria academia mesmo, em acolher toda essa diversidade, transformando tudo isso num “mix”. Não estou querendo dizer que haja uma perfeita harmonia, mas sim, que parece existir alguma disposição para um acolhimento maior do que haveria em outras sociedades, quer seja na própria América Latina, quer seja em outros países estrangeiros. Você concorda com isso?

G. Y.: Eu acho que até pode ser, pois o que se elaborou nos anos sessenta, na Tropicália, é um exemplo de tendência cultural muito estudada, seja na vertente do Roberto Flats ou do Silviano Santiago. Embora tenham posicionamentos diferentes, os dois reconhecem que, naquele momento, se elaborou uma estrutura simbólica, como se ela fosse uma colagem, um colar de coisas diferentes, mas sem criar um amálgama dessas coisas. Elas mantinham suas diferenças e atribuíam essa novidade à Tropicália, tendência tanto de interesse pela cultura popular quanto pela cultura midiática. Quando se vê na música, por exemplo, novidades como o funk carioca, não com uma funkeira, mas com uma cantora de classe média e funkeira, a Fernanda Abreu, percebe-se como se manifesta a cultura de mixagem. Não estou falando de mistura no sentido mais tradicional, mas das tecnologias de mixagem, as que se produzem no estúdio. Por isso, eu acho que não é por acidente que, no Brasil, o funk e o rap são tão difundidos, é porque são músicas de mixagem. Muitos músicos dizem que a mixagem é uma maneira de ser brasileiro. Em certo sentido, outra palavra que se pode salientar é “sampler”. A Fernanda Abreu tem uma música que diz “Be Sample”, manifesto que afirma que ser brasileiro é ser “sampler”. Eu imagino que isso já existia antes da época digital. Nesse sentido, estou de acordo que, de uma devida maneira, se recebem muitas influências. Na verdade, certos brasileiros não têm ansiedade nem com essa diversidade nem com a pureza. No Brasil, é difícil ser muito puro.

M.: Outra característica que eu venho observando em minhas pesquisas, ultimamente, é um certo jeito brasileiro de viver, inclinado a não se preocupar mais ou muito com o futuro. Penso que compartilhamos uma cultura, com grandes diferenças e muitos matizes, mas voltada para o presente, ou seja, que procura extrair do presente tudo aquilo que ele pode oferecer de bom e de melhor. O que importa é ser feliz hoje, sem preocupar-se demasiadamente com o que vai acontecer amanhã. Isso porque, ao se pensar no amanhã, há muitas incertezas a respeito de ter dinheiro, comida e tantos outros itens importantes. Eu tenho percebido isso nas escolas frequentadas por crianças muito pobres. Elas chegam com roupas molhadas, porque choveu dentro do seu barraco, durante a noite, mas estão lá, na escola, vivendo com grande exaltação e alegria, sonhando que são cantoras de televisão ou top models, por exemplo. Bem, isso me parece algo que se aproxima desse etos pós-moderno da cultura brasileira, que antes comentamos.

G. Y.: Mas isso seria uma mudança, porque pelo menos as elites tinham uma vontade moderna. Até Brasília, como uma cidade com plano piloto, é um salto para o futuro e, como dizíamos muito, que nunca chegava.

M. L.: Em seu ponto de vista, a experiência do Viva Rio, relatada em seu livro, vale-se efetivamente, talvez, do desejo de a educação estar ocorrendo através de um engajamento aos movimentos musicais, como o funk, por exemplo. Você poderia falar um pouquinho mais sobre o projeto que comenta neste livro, ou seja, sobre essa forma de enxergar a educação, partindo da vinculação a esse tipo de movimento? E ainda, isso teria a ver com essa noção de performatividade que foi citada no seu texto? O quanto isso estaria se afastando da visão do intelectual transformador, que para nós foi extremamente presente, por exemplo, no trabalho de Paulo Freire e que encontra importante ressonância no trabalho de Daniel Mato? Aliás, percebemos certo estranhamento em Mato por não trabalharmos mais com o pensamento de Freire, consideração feita por ele mesmo em uma ocasião. Então, o senhor poderia explicar como essa visão performática se distancia da ideia de intelectual transformador que, para nós, do Brasil, e para outros países da América, foi tão fortemente apropriada, especialmente pelos educadores?

G. Y.: Neste momento, eu conversava a respeito disso com um amigo que está cursando um doutorado “sanduíche” em Nova Iorque e trabalhando com música. Ele é carioca e especializa-se em funk e rap. Estávamos falando que muitos grupos que estão atuando social, musical, cultural e, também, educativamente não precisam mais da intervenção do intelectual brasileiro. Eles mesmos são agentes. É o caso do José Júnior, coordenador do Afro Reggae, é o caso do Celso Ataíde, coordenador e diretor da CUFA – Central Única das Favelas –, de rapeiros como MV Bill, todos são intelectuais. Então, não é preciso que exista um Paulo Freire ou outra pessoa assim, mas isso também não quer dizer que eles não possam ter relações com intelectuais diferentes deles. Aqui o que está em jogo é a noção de que a agência mudou, não a ideia, mas a prática, a ideia de quem vai agenciar a transformação da sociedade. Será a iniciativa de um intelectual que irá animar a sociedade? Ou existem agentes sociais que estão achando maneiras de fazê-lo? A maneira que eu descrevi aí, e que irei abordar mais tarde, é que essas figuras, esses grupos acharam uma maneira de praticar uma agência disseminada em redes, pois eles não trabalham sozinhos. O José Júnior, por exemplo, se empenhou, tal como o Ruben Cezar Fernandes, no Viva Rio, com jornalistas, com alguns funcionários do governo, com fundações, ONGs etc. A iniciativa, e o que eles com ela conseguiram, aquilo que estão dizendo na atualidade, precisa ser avaliado como uma gestão complexa, pois eles descobriram de alguma maneira que não será uma pessoa que animará e mostrará como as outras pessoas poderão se emancipar, mas sim uma rede complexa que incidirá sobre todos, entre todos. Eu penso que existe uma grande relevância nesse agente, nesse ator, pois ele está difundindo cada vez mais a sua agência. Foi deste caso, e isso também é interessante, que eu falei no texto referido. Consciente ou inconscientemente, o educador sempre está mostrando e ensinando como se faz cultura, porém ele precisará ficar mais convicto do seu papel de gestor cultural. Não existe educação sem que esta esteja inserida na cultura, a educação já é uma maneira de gestionar (e de gerir) cultura, mas seria interessante mostrar aos alunos como se organiza o conceito de capacidade para agir. Agência, em outras palavras, é um anglicismo.

M.: Eu observo que a televisão e as organizações empresariais estão se transformando em agências culturais muito poderosas. No Brasil, muitas empresas hoje financiam projetos culturais e educativos, como Petrobras, Fiat, bancos etc., e se percebe isso dentro das escolas. De repente, as circunstâncias que estão sendo vivenciadas nelas já são administradas e agenciadas por empresas. É um fenômeno novo em que organizações comerciais promovem a educação, mas também se aproveitam desse espaço catalisador e multiplicador que é a escola. Eu não sou totalmente contra isso, pois acho que existem algumas finalidades edificantes nesses projetos. Eles trazem algo que falta muito na educação formal pública brasileira, que são recursos financeiros. Contudo, o que me parece é que a educação vai escapando da escola, que era sua principal agência, tornando-se uma prática disseminada, assumida por muitos agentes com discutíveis interesses. Concordo plenamente que o professor precisa se dar conta de seu papel, para trabalhar com isso e para que as crianças consigam entender esses processos.

G. Y.: A cultura incorporada na escola não poderá ser feita somente com os instrumentos do passado, porque ela já está funcionando de outra maneira, isto é, hoje ela está relacionada com a cultura empresarial, com a cultura do serviço social, com a cultura econômica. O professor tem de saber disso para se organizar melhor e para pensar no modo como os alunos irão compreender a noção de cultura e como irão atuar nela e sobre ela.

M.: Do meu ponto de vista, o processo mais assustador e diante do qual o professor está menos preparado é o da entrada da mídia na vida escolar. De fato, é a colonização da vida das crianças e dos jovens pela mídia que repercute lá na escola de forma impressionante, mudando seu ritmo, seu jeito de ser, suas práticas, seu “formato”. A ordem escolar está profundamente subvertida pelos fenômenos midiáticos, e as mídias atuais são extremamente competentes. Particularmente, no Brasil, a televisão, mas não somente ela, é extremamente competente em sua convocação.

G. Y.: Mas, onde mais os jovens passam o tempo? Na frente da televisão ou dos videogames. Para mim, esse parece um problema com que a escola não sabe lidar. O imaginário do jovem passa não só o imaginário, mas também as formas de interação com os outros, porque muitos videogames são interativos através da Internet, a ditar novas formas de relacionamento, principalmente com pessoas que eles não conhecem. Pode-se, por meio de um jogo de videogame, interagir com uma pessoa que está na Rússia. Portanto, o imaginário é uma forma de ação mútua entre as pessoas. Na realidade, o que falta é uma visão crítica da mídia, dos videogames, de tudo isso que está aí, porque eu entendo que os alunos precisam dessas e de outras formas culturais. Da mesma maneira, nós, que tivemos uma alfabetização voltada à cultura letrada, pelo menos nas boas escolas, precisamos passar por isso para depois fazermos uma crítica às letras e às mídias.

M. L.: Essa era uma proposta que talvez estivesse contida nos estudos de Henry Giroux. Não sei se ele teve grande repercussão nos Estados Unidos, mas no Brasil os trabalhos de Giroux trouxeram uma contribuição importante em direção a uma leitura crítica das mídias. Aliás, parece-me que essa é uma ideia que tem circulado bastante entre nós, especialmente a partir da contribuição dos Estudos Culturais.

M.: Nos Estudos Culturais em educação praicados no Brasil, Henry Giroux, Shirley Steinberg, Joe Kincheloe e Douglas Kellner são os principais estudiosos norte-americanos inspiradores de pesquisas que tratam de mídia e cultura e se preocupam com questões educativas nelas implicadas. Entretanto, parece que na América Latina, os pesquisadores em Estudos Culturais começaram a tratar das relações entre cultura e mídia há um bom tempo. E aqui cabe uma ressalva. Quando falo em América Latina não estou me referindo ao Brasil, e justifico. Em julho de 2006, ao participar de um grande congresso internacional de Estudos Culturais – o Crossroads in Cultural Studies – um dos palestrantes que abordou os Estudos Culturais latino-americanos, após citar inúmeros nomes de pesquisadores de vários países da América do Sul e Central, em relação ao Brasil somente mencionou Renato Ortiz. Não se estendeu para além disso, parecendo-me estar implícita aí a ideia de que o Brasil é cada vez menos considerado como parte do que se denomina América Latina, sendo esta considerada como aquela dos países de língua espanhola. O Brasil, talvez por ser falante de língua portuguesa, sugere algo que o distinguiria das demais comunidades latino-americanas. Contudo, temos no Brasil já uma produção significativa filiada aos Estudos Culturais, sendo grande parte dela vinculada às aproximações entre os Estudos Culturais e a Educação. Temos utilizado o caractere @ para mostrar que essa relação é complexa e multifacetada – Estudos Culturais @ Educação. Por sua vez, os Estudos Culturais latino-americanos dedicam-se a outros tantos focos, sendo pouco destacada a produção voltada à educação. Penso que devido a isso ainda sejam poucos nossos interlocutores latino-americanos. Faço esse comentário porque gostaria de ouvi-lo acerca de sua percepção sobre o que estou mencionando.

G. Y.: Não conheço muito bem quem são os especialistas nos Estudos Culturais em Educação nos países hispano-americanos. [...] Também quero aproveitar para dizer uma coisa a respeito dos Estados Unidos. Lá existem pessoas que muito refletem sobre isso, porém, nos programas das escolas, em geral, elas não incidem, ficando tal reflexão limitada aos cursos universitários, às bibliografias, às livrarias. Nós não temos nem o ensino da arte, que acontece somente em escolas privadas e nos bons sistemas educativos locais. Na verdade, todos são locais nos Estados Unidos, só que para alguns o ensino das artes e da cultura não apresenta diferença entre estudar dança moderna, ópera e teatro. Logo, compreende-se que a noção de cultura que se tem hoje em dia está muito longe da que se estuda nas escolas. No entanto, eu creio que isso é muito importante, é tão importante quanto estudar o que lá se chama Estudos Cívicos, ou seja, a matéria que mostra como se organiza a sociedade, como ser um bom cidadão etc. Tudo é importante, principalmente, ter-se o estudo da cultura, sobretudo porque passamos e ainda estamos passando por guerras culturais nos Estados Unidos. Atualmente, a grande polaridade ocorre entre o fundamentalismo religioso e as pessoas mais liberais, citando, como exemplo, os homossexuais com seu matrimônio legalizado em vários estados. Nas escolas ensinam obrigatoriamente o criacionismo, e o criacionismo diz que a teoria da evolução é uma anticiência, mas que está sendo ensinada como ciência. Então, não há um estudo, na escola básica ou secundária, desse fenômeno chamado de cultura, apenas nas universidades. Isso empobrece muito a sociedade.

M.: Essa falta de repercussão nas escolas e nos cursos deve-se a políticas governamentais que, de certa forma, impedem isso?

G. Y.: Bem, certamente, nesses casos muito conservadores onde se ensina o criacionismo, a repercussão não existe porque não se questiona o que é “natural” (e o “natural” seria o “normal”). Logo, questionaríamos [os praticantes de Estudos Culturais] o que é ser “normal”. Mas, em geral, por outro lado, há um problema: isto é, não se fariam muitos questionamentos sobre o que é o “normal”. Entendo que existe a crença de que na escola básica e secundária não se deve questionar o “normal”. Essa questão é um grande problema dos estudantes: eles sempre estão se confrontando com o peso do normatismo. Sentem-se muito alienados, porque não são “normais” e não compreendem o que isso significa. Então, os Estudos Culturais seriam muito úteis, pois falam a respeito dessas questões.

M.: Por que, então, os Estudos Culturais não são mais acolhidos na formação dos professores?

M. L.: Eu acho que essa desvinculação que se faz entre o meio universitário e a escola fundamental e média também acontece entre nós, não é? As discussões que se apresentam na universidade pouco se estendem para a rede escolar, porque tais situações mexem muito com as estruturas de poder que temos aí e não interessa tocar nisso. Há dois dias, eu li no jornal sobre um questionamento levado por uma criança da escola para sua casa. Esse surgiu quando ela estava estudando em seu livro escolar sobre o que era ser latifundiário. Bem, o avô dela era um latifundiário, e a pergunta da criança reproduzida no jornal era exatamente esta: “Ô mãe, o meu avô é um latifundiário?” Então, o que se discutia na reportagem era a impropriedade do que estava afirmado no livro didático, ou seja, criticava-se a focalização desta questão porque ela incidia sobre temas controvertidos, sensíveis, que melhor seria permanecerem camuflados.

M.: Enfim, nós poderíamos, talvez, retomar um pouco a conveniência da cultura e o assunto que nos tem ocupado atualmente. Ele tem tudo a ver com o eixo econômico, com o mercado, com o valor de troca das coisas e seu reflexo na sociedade contemporânea.

G. Y.: Bem, a ideia do livro [A conveniência da cultura] é exatamente esta, a importância do consumo. Para mim, é preciso problematizar a posição que muitas pessoas ainda têm, a partir do trabalho de Theodor Adorno, de se colocarem contra as indústrias culturais. Isso não se justifica, exceto no sentido de que produziu mudanças em nossa natureza que, nos tempos atuais, é midiática de consumo, de cultura, etc. Portanto, teremos de pensar em como criar estratégias para fazer essa mudança de maneira democrática, crítica etc. Essa foi uma parte do que eu tratei no livro. De outra parte, temos outro ator, tão importante quanto o mercado, que é o setor das fundações, das ONGs e da cooperação internacional. Não sei se vocês estão cientes da extrema incidência da cooperação internacional francesa, espanhola, sueca, alemã, que existe na América Latina e, em geral, também no Brasil. O Afro Reggae foi financiado pelo comércio através da Fundação Ford. A Fundação Príncipe Klaus (da Holanda) financia isso e também outras ações culturais. A Organização dos Estados Ibero-Americanos (da Espanha) igualmente patrocina muitas atividades no Brasil. Portanto, esse é o outro setor, aquele que fala muito em direito e cidadania. A cultura que pensa em relação ao direito e à cidadania existe, em grande parte, pela ação desse setor. Dessa forma, temos dois usos: um que tem a ver com mercado, e outro que tem a ver com essas questões, que dizem respeito a fornecer aporte financeiro e mobilizar a cultura para resolver os problemas sociais. Exemplificando: se, em certa situação, há racismo ou intolerância, desenvolvem-se programas culturais para tentar resolver essa questão, isto é, para acabar com o desrespeito e a intolerância. Esses são os dois setores. Por isso, eu falo sempre sobre essa ideia de cultura virar recurso, ou melhor, que cultura é um recurso. Em nossa época, depois que se pensa assim, é que se começa a ver que a pessoa que “mexe” com cultura é um gestor. Assim como na natureza precisamos de gestores para que as populações não acabem com os recursos naturais, em relação à cultura também precisamos de gestores para administrá-la bem, favorecendo uma educação crítica. É interessante que surge agora uma figura que não existia há vinte anos, que é a do gestor cultural. Isso acontece, em parte, pelo mercado. Surge, nesse momento, a Petrobras como financiadora da cultura, aparecem também outras fontes, passa a vigorar a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) etc. Tudo isso para se conseguir dinheiro. Também se precisa de gestores, mas parece haver, além disso, outra questão. O José Júnior, coordenador do Afro Reggae, é um gestor cultural muito inteligente. Ele diz que, para promover a sustentabilidade de seu projeto, ele precisa treinar seus gestores, senão o projeto acabará. A liderança não poderá ficar só com ele, tem-se que produzir mais gestores. A gestão é um fenômeno que antes era só do setor público, do governo, e, agora, dissemina-se nas sociedades latino-americanas em relação ao mercado e ao terceiro setor, ou seja, em relação à cultura. Isso é uma grande novidade, e tenho estudado esse assunto em vários casos.

M: Tal questão corresponderia a esse ímpeto de governamentalidade de que fala Foucault, porque, de certa forma, quando esse gestor cultural está preocupado em formar mais gestores, é porque, com certeza, não quer que se perca a direção que está sendo impressa a determinados processos e movimentos culturais.

M. L.: Nesse sentido, eu pergunto: a interlocução que alguns autores, como o senhor e o próprio Garcia Canclini, têm feito com as tendências de pensamento pós-estruturalistas e com os filósofos da pós-modernidade, de alguma maneira, parece que ampliam as possibilidades de discussão de como vinha sendo conduzida a cultura nos Estudos Culturais. No caso do Brasil, por exemplo, isso já causou uma cisão. Há uma autora5 que chega a pensar na existência de Estudos Culturais “mais adequados” e “menos adequados”. Para ela, “os mais adequados” seriam exatamente aqueles que se aproximam da vertente de Birmingham e dos trabalhos de Raymond Williams, por exemplo. Os demais seriam os “menos adequados”, menos puros, vamos dizer assim; ou seja, para ela, o que se afasta da vertente de Birmingham não é “essencialmente” Estudos Culturais. Novamente temos aquele entendimento de acharmos uma definição, um enquadramento dos Estudos Culturais, sendo essa, no entanto, uma perspectiva da qual seus praticantes têm que procurar fugir constantemente. Então, como fica a ideia da interlocução com as empresas?

G. Y.: Claro, fui aprendendo muito estudando vários casos e descobri que o gestor é quem cria as relações, as retitulações para poder levar adiante um projeto, senão este morrerá. Não são modelos de ação, mas um modo de reflexão que vai além dos Estudos Culturais “puros”, de Birmingham. Agora, é necessário agir em vários campos, muitas vezes, e trabalhar em outros com parcerias, etc. É mais complexo, mais flexível, e não se vê a ação somente através da reflexão teórica, mas isso envolve uma relação bem dinâmica entre reflexão e ação. Continuam sendo interessantes, por esse motivo, os trabalhos de Bourdieu e Stuart Hall. Eles têm uma perspectiva gramsciana. Stuart Hall elaborou também seus estudos a partir da perspectiva foucaultiana da governamentalidade. Essa visão foi a que mais se aproximou, em certo momento, desse processo que temos hoje, ou seja, da gerência da sociedade. Eu lembro, não sei se mencionei neste livro, acho que não, mas o primeiro que propôs o tema da governamentalidade nas políticas culturais, no contexto anglo-americano dos Estudos Culturais, foi Tony Bennet, que escreveu “O nascimento do museu”. Essa obra alude à de Foucault intitulada O Nascimento da clínica.

M.: Acho que essa oportunidade de podermos conversar sobre a importância dos Estudos Culturais com alguém que participou das primeiras discussões americanas sobre o campo foi ímpar. Esta conversa terá continuidade, certamente, porque é muito bom tomar contato com esse olhar de fora, evitando que fiquemos circunscritos às questões mais locais e internas. Temos também nossos “grilos” com a hegemonia anglo-saxônica dos Estudos Culturais, assim como temos vontade de que esse olhar latino-americano e brasileiro, que se distingue dos demais Estudos Culturais, possa ter alguma visibilidade e contribuir para esse campo em desenvolvimento. Sabemos que os Cultural Studies constituem um campo controvertido, em permanente constituição e recomposição, afinado com políticas de abertura e de Crossroads. Sabemos que mesmo entre muitas tendências e disciplinas que possam apenas se cruzar contingencialmente, podemos compartilhar focos de convergência e fazer política. Muito obrigada, Professor.

M. L.: Finalizo lembrando comentário feito pelo Professor Denilson Lopes, que destaca ser o Professor Yúdice um novo tipo de intelectual público capaz de realizar reflexões envolvidas, engajadas, amorosas, que implicam uma abertura metodológica, que não teme cair em um ecletismo teórico.

G. Y.: Agradeço muito.

*Entrevista concedida as professoras Marisa Vorraber Costa &; Maria Lúcia Castagna Wortmann, publicada originalmente na Revista Educação (Porto Alegre), v. 38, n. 1, p. 14-20, jan.-abr. 2015.

Postagem: Matheus Bibiano - graduando de Estudos de Mídia/
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFF - GRECOS/LAMI