Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade (GRECOS), coordenado pela professora Ana Lucia Enne (UFF), relacionado às disciplinas lecionadas por ela no curso de Estudos de Mídia e na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da UFF, conjugando reflexões sobre sociologia, estudos culturais, história, antropologia, cultura, mídia, consumo, memória, juventude, movimentos sociais e identidade, dentre outros temas, e ao Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
A seguir, um dos trabalhos da turma de Sociologia e Comunicação desse semestre. Esse, feito pelo Thiago Yamachita. Nessa postagem, se encontra apenas o primeiro parágrafo, para ler o trabalho completo, clique no link lá embaixo.
Gostaria de analisar neste texto matérias publicadas em 3 distintos sites da internet, as matérias são: “Marta Suplicy, vale-cultura e a revolta gamer” publicada no site Kotaku#, “O abacaxi da cultura” publicado no site do Estadão# e “Era melhor antes” publicado no site do jornal O Globo#. Em comum, os três textos abordam questões relacionadas à cultura, mais especificamente, eles remetem a uma ideia que levantam questionamentos sobre o que é cultura e como ele é percebida em nossa sociedade atual, os três também discutem as políticas governamentais no campo da cultura, como elas são percebidas ou qual sua eficácia.
O primeiro dos artigos, publicado pelo site de games Kotaku, fala sobre a declaração polêmica da atual ministra da cultura Marta Suplicy que, ao ser perguntada se os vídeo games...
Mais um semestre dos cursos de Comunicação e Cultura Popular e Sociologia e Comunicação, mais um semestre com ótimos trabalhos! Sendo assim, as próximas postagens do blog serão direcionadas a eles.
A começar pelo *mais novo hit da internet*. Não é para tanto! Mas o Flash Mob produzido pela turma de Comunicação e Cultura Popular desse ano ganhou grande visibilidade na web, chegando a mais de 27.000 visualizações no YouTube. Guiando-se através do conceito de hibridização cultural e da ideia de ocupação e apropriação do espaço público, a turma criou uma coreografia para a música "Passinho do Volante" de Mc Federado e os Leleks e apresentou-a em forma de Flash Mob no Centro Cultural Banco do Brasil.
Abaixo, segue a ficha técnica e a justificativa do trabalho, junto com o vídeo!
Música: Passinho de Volante - MC Federado e Os
Lelekes
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) -
Centro, Rio de Janeiro, RJ
Data: 16 de março de 2013
Alunos:
Ana Beatriz Domingues, Bruno Pestana, Bruno
Rocha, Caroline Dabela, Caroline Moreira, Clara Sacco, David Barenco, Eduardo
Glasser, Enio Graeff, Gisele Vargas, Helena de Serpa, Ioná Ricobello, João
Pedro Martins, Júlia Corrêa Pacheco, Júlia Robadey, Juliana Henrice, Lia
Ribeiro, Lonya Mana, Luana Calazans, Luana Furtado, Lucas Camacho, Mariana
Darsie, Paulo Victor Gitsin, Pilar Diniz,Rafael Cathoud, Raquel Mattos, Rávellyn
Borges, Tatiana de Moraes, Teresa Barros, Thayná Couto Faria, Vinícius Küster,
Wesley Prado, Yone Benicio.
Participantes convidados:
Aline Massa (filmou), Débora Nunes (filmou),
Emmanuel Ferreira (filmou), Felipe Lemos (filmou), Fernanda Moraes (dançou), João
Mendonça (filmou), Isabelle Pacheco (filmou), Larissa Mendonça (dançou), Lis
Neves (dançou), Marcelo Mucida (dançou), Marcelo Weber (dançou), Negra Maria
(filmou), Rodolfo Darsie (dançou).
O Flashmob foi uma perfomance desenvolvida como
trabalho final para a disciplina Comunicação e Cultura Popular II, ministrada pela
professora Ana Enne.
Motivados em parte pela vontade de realizar o
sonho da professora e em parte pelas incríveis possibilidades de significação
de um flashmob, escolhemos este "veículo" para dar vazão as diversas
questões trabalhadas em sala. O simples fato de inserir o funk "hit"
do momento, que tão bem representa a cultura popular, em um espaço de cultura,
dito democrático, mas que abriga manifestações culturais já consagradas e,
principalmente, hegemônicas problematiza a hierarquização da cultura e
evidencia seu papel como espaço de luta e disputa por significação.
Relação com os conceitos trabalhados na matéria:
O flashmob objetivou trabalhar a cultura como
espaço de lutas, evidenciando a dinâmica relação entre cultura hegemônica e
cultura popular. Nas aulas de Comunicação e Cultura Popular, inicamos os
estudos compreendendo a construção do conceito de cultura popular e suas duas
visões clássicas: a Iluminista e a Romântica, que a colocam, respectivamente em
uma posição de cultura menor, não letrada, aleatória, bárbara - que deve ser
controlada, evitada e no lugar da tradição, da essência, do rústico - aquilo
que deve ser preservado. Vimos que a distinção entre a "elite" e o
"povo" é o tempo todo reafirmada no espaço da cultura que é permeado
por questões de distinção e "níveis de cultura".
Em um esforço de desconstrução dessas duas noções
e complexificação dos processos em torno da cultura, em particular da cultura
popular, a disciplina constrói um caminho teórico a ser trilhado e
posteriormente exemplificado em diversos âmbitos e através de veículos e
produtos culturais diversificados. Partimos dos estudos de Peter Burke sobre a
cultura popular na Modernidade onde ele afirma que a cultura oficial,
representada pela elite aristocrática e pela Igreja Católica, se mistura com a
popular, porém com transformações significativas, mantendo-se a separação
do poder econômico. Redfield (EUA) trabalha com a ideia de que a cultura
erudita tem grande tradição, muita preocupação e cuidado na sua manutenção. Por
sua vez, a cultura popular tem uma pequena tradição, mas é bastante viva.
Acompanhamos o processo de transição entre as ideias de biculturalidade (ou bilíngue),
reforçada por Bakhtin, e de circularidade cultural, trazida por Grinzburg. A
circularidade confere, a qualquer processo cultural, a negociação de discursos
com seus referentes contemporâneos, antecessores e sucessores. Podemos
articular o flashmob à diversos autores da Nova História Cultural. A apresentação
do funk no CCBB se relaciona aos conceitos de hibridização de Canclini,
apropriação de Chartier e "modos de fazer com" de Certeau. As
fronteiras entre identidades, tradição e modernidade tornam-se mais difusas,
mais flexíveis, mas este instante também representa contradições, por este ser
um local que deve refletir a cultura brasileira e, muitas vezes, é focado na
dita "alta cultura". Assim, o flashmob representa, em pequena escala,
uma ação contra-hegemônica de mediação, mais uma vez reflexo de nossos estudos,
incluindo aqui Gramsci e Barbero.
A organização foi feita virtualmente, através de
um grupo secreto no Facebook. A partir da mobilização de alguns grupos de
alunos - que, separadamente, pensavam em realizar flashmobs -, foi criado o
grupo para integrar todos os que desejassem fazer parte deste projeto, assim
realizando apenas um flashmob, com o maior número possível de alunos. A partir
de então, diversas ideias foram colocadas em pauta, e uma votação foi criada.
As possibilidades eram:
- "Ah lelek lek lek" a ser realizado
no CCBB;
- "Um novo tempo" a ser realizado em
um dos seguintes locais: SAARA, Central, rodoviária Novo Rio;
- Outro Funk;
- Alguma música que representasse a hibridização
(exemplo cogitado: Dona Joana canta Zezé Di Camargo e Luciano);
- Alguma música do projeto "Jeito
Felindie";
- Tecnobrega;
- Harlem Shake;
- Festa no Apê.
Para a realização, foram realizados apenas dois
ensaios presenciais: o primeiro no dia 12 de março e o segundo no dia 16 de março.
O encontro do dia 12 foi a única reunião
realizada de forma não virtual, desta reunião foram retiradas as seguintes
comissões:
Comissão
de Coreografia: Gisele Vargas, Lonya Mana, David Barenco e Tatiana
Moraes.
Responsável por elaborar a coreografia de forma
simplificada e gravar um tutorial para que todos pudessem ensaiar
indivudualemente em suas casas. O tutorial possibilitou também a participação
de pessoas que não eram da turma.
Comissão
de Audiovisual: Wesley Prado e Débora Nunes
Responsável por direcionar todas as pessoas que
iriam filmar, pensar o posicionamento das câmeras e o melhor aproveitamento da
captação de som.
Câmeras: Wesley, Débora,
Felipe, João, Isabele e Caroline
Convidados para realização das filmagens e
alunos que preferiram filmar.
Comissão
de edição: Lia Ribeiro
Responsável por juntar todas as filmagens
oficiais e algumas extra-oficiais.
Comissão
do Som: Mariana Darsie, Teresa Cristina e Lia Ribeiro
Responsável por procurar algum equipamento de
som a base de pilha a ser usado no dia.
Comissão
da Surpresa: Clara Sacco
Responsável por articular a ida da Professora
Ana Enne ao CCBB, para que ela visse o flashmob, mas sem estragar o elemento
surpresa.
Outras funções importantes:
Menino
Maluquinho: Paulo Victor Gitsin
Interação coreográfica com a exposição do CCBB,
Paulo Victor foi o escolhido para iniciar a coreografia dançando no Kinect com
o Menino Maluquinho.
Puxadora: Gisele Vargas
Responsável por dar o play no som e iniciar o
canto da música, dando o tempo certo a todos os outros participantes.
O ensaio geral e a realização aconteceram no
mesmo dia, 16. O ensaio, porém, ocorreu mais cedo na Praça XV, depois todos se
encaminharam para o CCBB.
Occupation 101 é um documentário de 2006 que aborda o conflito entre Israel e Palestina, fazendo um breve apanhado histórico na busca de explicar a origem do conflito. O filme mostra a visão da população palestina, trazendo questões que a grande mídia evita transmitir: limpeza étnica, genocídio do povo palestino, relações entre Israel e Estados Unidos, violação dos direitos humanos, abusos cometidos pelos colonos e soldados israelenses contra a população palestina, dentre outras.
O filme está disponível legendado no youtube em 9 partes, nos seguintes links:
No sábado passado, o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibiu o episódio "Negros no Brasil: brilho e invisibilidade". A matéria aborda assuntos como a discriminação racial, a questão trabalhista, cotas nas universidades, construção de identidade do negro, resistência cultural, dentre outras.
O programa ganhou o prêmio nacional Abdias Nascimento de 2012. O prêmio, que está na sua segunda edição, homenageia o político e ativista Abdias Nascimento e tem como objetivo estimular a cobertura jornalística sobre temas relacionados à população negra e incentivar o combate ao preconceito e desigualdade socioeconômica consolidados no Brasil.
Em 2010 foi lançado o longa-metragem "5 Vezes Favela - Agora por Nós Mesmos", dirigido por um grupo de cineastas jovens, moradores de comunidades do Rio de Janeiro e produzido por Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães. O Filme retrata 5 histórias ficcionais sobre o cotidiano de personagens comuns das favelas cariocas. A escolha de parte da equipe foi feita pela produção através de oficinas oferecidas aos jovens moradores das favelas, os temas da cada episódio foram escolhidos pelos alunos da oficina de roteiro e desenvolvidos coletivamente.
Os episódios, apesar de suas tramas diferenciadas, mostram o controle das comunidades pelo tráfico. Mesmo com a inauguração do projeto das UPPs no Rio de Janeiro, em 2008, o filme não deu visibilidade a essa questão. Em 2012, porém, os mesmos realizadores de "5 Vezes Favela - Agora por Nós Mesmos" se reuniram na criação do longa-metragem "5 Vezes Pacificação", que pretende retratar o dia-a-dia na favela após a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora.
O que é passado nos noticiários sobre a pacificação das favelas do Rio de Janeiro é, quase sempre, atravessado por interesses da grande imprensa, fazendo com que sejamos bombardeados diariamente de notícias que não sabemos se é verdade ou não. O mau jornalismo brasileiro é frequente e perigoso. (Leia a postagem que relaciona contradições da grande imprensa e UPP, clique aqui).
Sendo assim, o filme "5 Vezes Pacificação" apresenta uma proposta de representação mais fiel da realidade. Dessa vez, abandonando o gênero de ficção e assumindo o caráter documental. Através das 5 histórias retratadas, o filme relata a reação dos moradores de comunidades que já possuem a UPP em paralelo aos moradores de comunidade que não possuem UPP, procurando mostrar os pontos positivos e negativos de ambos os lados. O longa também propõe investigar a preparação dos novos policiais destinados a trabalhar nas UPPs, relatar, com depoimentos de ex-traficantes, a tentativa de reintegração à sociedade civil, mostrar o que pensam sobre as UPPs os vizinhos das comunidades pacificadas e não pacificadas e busca não iludir o público com a expectativa de um milagre ocasionado pela implementação do projeto, mas mostrar que a favela necessita mais do que a UPP para conseguir estabelecer a sua cidadania plena.
O filme conta com o apoio do governo do Rio de Janeiro que, obviamente, é a favor da presença das UPPs nas comunidades cariocas, apesar de ser uma medida extremamente violenta. Ainda há receio em afirmar se a polícia realmente resolveria um problema que, além de ter sido causado por questões históricas e sociais, poderia ter sido causado por ela própria, como diz o fotógrafo Maurício Hora, morador do Morro da Providência, em depoimento ao filme, ao afirmar que a UPP veio para salvar a comunidade da própria polícia. Baseando-se ainda nos relatos de moradores, é detectável que o problema da violência não foi resolvido, muitas vezes potencializado por abusos cometidos por policiais em cima de moradores, como invasões de residências, humilhações e até tortura.
De toda forma, "5 Vezes Pacificação" apresenta uma proposta não somente de representar a realidade das comunidades pacificadas, mas também de abrir portas para outras políticas públicas, como emprego, saúde, educação, transporte e habitação. O filme estréia em 16 de Novembro. Até lá, haverá a expectativa de que o longa cumpra com suas propostas, mostrando o que o noticiário comum omite.
A inscrições para o [Seminário + Mostra] Poéticas da Alteridade já estão abertas! Envie nome, RG e, caso haja, seu vínculo com a instituição de ensino à qual você é ligado para o email: poe.alteridade@gmail.com. O evento acontecerá entre os dias 06 e 09 de dezembro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o MAM. Para mais informações, acesse: poeticasdaalteridade.wordpress.com.
Não deixe de conferir também a página do evento no facebook:
O 18o Curso Anual de Comunicação do NPC tem como tema esse ano Os Trabalhadores e a Comunicação na América Latina e acontecerá no Rio de Janeiro, de 21 a 25 de Novembro.
As inscrições vão até o dia 31 de Outubro ou até o fim das vagas! Saiba como se inscrever aqui.
Qual o papel da crítica cultural quando a internet dá a todo mundo
direito de opinião?
Começa hoje, na Caixa Cultural, o Seminário Crítica da Crítica - Expansões e Limites do Pensamento 2.0. Serão 4 mesas de debate com convidados, abordando os seguintes temas: música, artes visuais, cinema e literatura.
A Caixa Cultural está localizada no Centro do Rio, na Av. Almirante Barroso, 25.
A entrada é gratuita e as senhas serão distribuídas a partir das 17h30. A capacidade do auditório é de 80 pessoas.
Para mais informações, confira o livreto de apresentação do Seminário, clicando aqui. Ou acesse a página do Seminário no facebook, clicando aqui.
O encontro tem como objetivo aprofundar o debate sobre as políticas públicas na área de cultura e compartilhar experiências nos diversos segmentos artísticos. É a segunda edição do evento e, nesse ano, a Fundação abriu espaço para a divulgação de trabalhos fundamentados em três segmentos: criação e experimentação; acesso, difusão e mediação; e memória e preservação. As inscrições para ouvintes são gratuitas e estão abertas até o dia 26/10, o número de vagas é limitado. O encontro é aberto e ocorrerá de 12 a 14/11. Para mais informações: http://www.funarte.gov.br/funarte/ii-encontro-funarte-de-politicas-para-as-artes-interacoes-esteticas-em-rede/