terça-feira, 10 de novembro de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "O facebook e a Sociedade do Espetáculo"

Beatriz Marques, aluna de Sociologia e Comunicação, descreve como o facebook se encaixa perfeitamente como uma ferramenta da "sociedade do espetáculo", conceito desenvolvido por Guy Debord.

Beatriz analisa como os usuários se apropriam da rede para criar uma imagem pessoal que, dificilmente, irá refletir a sua verdadeira aparência física ou personalidade. A aluna apresenta o argumento de que os sujeitos tendem a retratar mais características positivas que negativas, definidas pelo senso comum. A partir daí, a aluna exemplifica nos conceitos de Debord como as demandas da pós-modernidade, influenciadas diretamente pela sociedade do consumo, atravessam e são atravessadas pela questão da representação midiática.



"O produto midiático a ser analisado é o Facebook. Essa é uma rede social na qual as pessoas criam um perfil próprio e podem conectar-se a outros usuários adicionando-os como amigos, por exemplo. Os adeptos do Facebook trocam mensagens e recebem notificações, compartilham fotos e podem participar de grupos de interesse como grupos relacionados ao trabalho e a escola. Além disso, os usuários podem postar imagens e comentários que exponham e caracterizem as suas opiniōes e personalidades, no entanto essas personalidades podem ser expostas de forma distorcida e não real. Ou seja, da mesma maneira que os atores atuam em novelas e filmes, as pessoas podem criar personagens, atuar ao utilizar o Facebook, por exemplo, ao descrever uma rotina ou mesmo postar fotos que não dizem respeito a suas próprias realidades. Os indivíduos são capazes de mostrar ao mundo (através do facebook) uma versão melhorada de suas vidas e deles mesmos. Uma pessoa pode conquistar uma reputação de fã de esportes, por exemplo, quando passa a fazer postagens com comentários relacionados a esse assunto ou pode ainda mostrar que emagreceu, ou que mudou a cor do cabelo com a ajuda de ferramentas de edição de imagens como o Photoshop. Desta forma, as pessoas que acessam esse conteúdo são consumidoras dessas imagens e acabam por aceitá-las, muitas vezes, sem que haja questionamentos. Assim, com o grande número de adeptos do Facebook no mundo inteiro, esse se torna um bom objeto para ser analisado e comparado a Sociedade do Espetáculo de Debord. 

Guy Debord mostra em seu filme “A Sociedade do Espetáculo” um trecho dizendo que “o espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não vivo.” Diz ainda que “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens”(DEBORD, 1997, p. 14). Desta forma, esse espetáculo explicado por ele pode ser entendido como a interferência das imagens nas relaçōes sociais entre as pessoas. Com esta afirmação, já se pode fazer uma conexão do Facebook com a Sociedade do Espetáculo uma vez que as imagens disponíveis são elementos de interação entre os usuários. Nessa rede social há três ferramentas principais que possibilitam que os usuários se relacionem e expressem as suas opiniōes com outras pessoas e a respeito de outras pessoas, são eles: curtir, compartilhar e comentar. Desta forma, os usuários podem mostrar aprovação ou desaprovação frente as ideias e postagens de outras pessoas, formando, e expondo, a sua própria identidade dentro da rede social."

Confira o trabalho na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "Análise do filme 'Eu, você e a garota que vai morrer' a partir de conceitos de Zygmunt Bauman"

Nina Oyens, da turma de Sociologia e Comunicação, trabalhou um dos conceitos chaves de Zygmunt Bauman: a modernidade líquida. Para isso, a aluna usou como objeto de análise o filme "Eu, você e a garota que vai morrer", do diretor Alfonso Gomez-Rejon, baseado no livro homônimo escrito por Jesse Andrews.

Em seu trabalho, Nina analisa o comportamento dos três personagens principais, adolescentes, diante da sociedade contemporânea, fortemente marcada pela volatilidade das relações interpessoais. A partir do ponto de vista do protagonista, a aluna demonstra como o jovem, inserido na lógica ambígua que consiste entre ser livre e ficar só ou ter companhia e se prender, se porta diante de uma situação inesperada por ele.

Trabalho muito bacana para refletirmos o modo como construímos, mantemos e desconstruímos as nossas relações interpessoais e como elas são afetadas pelas questões sociais da pós-modernidade.



"O filme norte-americano “Eu, você e a garota que vai morrer” (título original: “Me and Earl and the dying girl”), baseado no livro de mesmo nome, retrata a vida de Greg em seu último ano de Ensino Médio, através de uma narração introspectiva e autorreflexiva em primeira pessoa pelo personagem principal. O filme apoia-se muito em seus diálogos, logo, os diversos relacionamentos entre personagens são o foco principal, especialmente a relação entre Greg e Rachel, sua colega de classe que descobre ter leucemia. Não há, contudo, envolvimento amoroso entre os dois, como Greg afirma diversas vezes pelo filme: “isso não é um história comovente de amor”. Em vez disso, Rachel torna-se sua primeira "oficial" amizade, já que o menino tem uma extrema dificuldade em aproximar-se das pessoas e chamá-las de “amigo”. Isso fica claro quando ele introduz seu melhor amigo de infância como um “colega de trabalho”, já que os dois fazem filmes juntos. Seu medo de se apegar aos outros leva-o a querer tornar-se invisível aos olhos de seus colegas de escola, mas sua nova amizade muda completamente sua percepção em torno de relacionamentos, do futuro incerto e da morte (uma resenha mais completa a respeito do livro pode ser encontrada ao final do trabalho). Tais questões podem ser amplamente analisadas através das lentes do pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, especificamente em sua obra “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”.

Já no prefácio de seu livro, Bauman traz a ideia de que, ao mesmo tempo em que homens e mulheres anseiam por relacionar-se e conviver com outros, temem a solidez que a criação de vínculos representa, por não suportarem a ideia de estarem “presos" a uma pessoa para o resto de suas vidas. Essa ambiguidade em querer estar com alguém, mas também querer estar livre para explorar outras, possivelmente melhores, opções é típica, de acordo com o autor, do caráter volátil da "modernidade líquida” em que vivemos atualmente. Também ressalta que relacionamentos são repletos de altos e baixos e, às vezes, os sacrifícios que eles demandam não são compensados, o que leva muitos a optarem pelo não envolvimento. Tal situação assemelha-se à atitude de Greg, que mantém-se amigável na maneira como trata seus colegas, mas distante, convivendo de forma superficial de modo que não sofra ou destaque-se em meio à multidão de alunos."

Confira o trabalho na íntegra, clique aqui!

Confira abaixo o trailer do filme.

domingo, 8 de novembro de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: Análise do curta-metragem "Masks" (Máscaras)

Com base no conceito de consciência coletiva, desenvolvido por Émile Durkheim, Mayara Costa, aluna de Sociologia e Comunicação, analisou o curta-metragem "Masks", filme baseado no poema homônimo de Shel Silverstein. 

Em seu trabalho, Mayara analisa como a personalidade dos sujeitos da trama é influenciada pelo conceito de Durkheim e como isso se aplica na sociedade contemporânea.

Confira abaixo o poema na íntegra e o link para o curta.


"Ela tinha a pele azul,
E ele também.
Ele escondia isso
E ela também.
Eles procuraram por azul
Por toda a vida deles,
Em seguida, passaram direto--
E nunca souberam."

Masks | 2014 



"Logo as primeiras tomadas do curta mostram jovens levantando-se para mais um dia de aula, tendo curiosamente — para nós, espectadores; é completamente natural para os personagens — seus rostos pintados e palavras escritas em suas testas: Poet (Poeta), Chess Master (Mestre em Xadrez), Gamer (nome usado para jogadores assíduos de videogame), entre outros. Entretanto vemos cada um desses jovens colocando por cima do que seria seu "verdadeiro eu" máscaras brancas com novas palavras escritas: Jock (Atleta) para o Poeta, Skater (Skatista) para o Mestre em Xadrez, Cheerleader (Líder de Torcida) para a Gamer. Vemos ao longo do curta a constante preocupação de uma das personagens em manter as aparências, mesmo vendo que os que usam suas verdadeiras faces parecem mais felizes. Vemos a personagem em um conflito interno sobre remover ou não sua máscara, até que a personagem pensa ver alguém igual a ela e remove sua máscara para ir atrás desse alguém. Ao ver que havia se enganado, volta a se esconder atrás de sua máscara. Entretanto, nós espectadores vemos paralelamente uma segunda personagem que parece sofrer do mesmo mal, mantendo-se, também, escondida atrás de sua máscara. Entendemos assim que o casal está fadado a nunca se encontrar por conta de suas máscaras brancas.

Segundo Émile Durkheim, a consciência coletiva é a força coletiva exercida sobre um indivíduo que o leva a viver e agir de acordo com os padrões da sociedade em que está inserido. A consciência coletiva é exterior ao indivíduo, o que significa que a sociedade "é como é" e que cabe ao indivíduo aprender e se adequar a sua organização. São pequenas contribuições individuais que se juntam e formam consciência coletiva, o que a faz resultado de fatos sociais.

Pode-se observar claramente no curta-metragem na relação entre o indivíduo e o coletivo a influência que a organização social tem sobre o protagonista e algumas outras personagens. As "máscaras brancas" representam o papel social que cada personagem ocupa, o papel que esperam que representem para que a sociedade mantenha-se em ordem. Há uma certa opressão no ambiente (no caso, escola) para que as coisas se mantenham assim.

Ao final do curta, a consiência coletiva descrita por Durkheim acaba por ser o fator de infelicidade do protagonista, que é impedido de conhecer sua "cara metade" por conta de tal opressão. Isso nos faz concluir que, apesar de importante para que haja ordem e para que a sociedade não caia em estado de anomia (falta de regras), deve-se vigiar para que essa opressão não comprometa nossa felicidade e nosso futuro."

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "O habitus em 'Que Horas Ela Volta?'"

Estamos de volta com a tradicional postagem dos trabalhos finais, iupi!

E para abrir a sequência desse semestre, uma análise muito interessante do Matheus Bibiano, aluno de Sociologia e Comunicação, sobre o filme "Que horas ela volta?".

A obra, da diretora Ana Mulayert, estreou esse ano e recebeu uma avalanche de críticas positivas, inclusive, sendo cotado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme traz uma discussão muito pertinente sobre a sociedade brasileira contemporânea, questionando o lugar que cada sujeito ocupa numa sociedade hierarquizada e marcada pela diferença entre classes sociais. Matheus analisa o papel de cada personagem do filme, exemplificando através de situações da trama, a relação com o modelo de sociedade estudado por Pierre Bourdieu. 


"No filme, a atriz Regina Casé encarna a pernambucana Val, uma mulher que, há mais de dez anos, deixou sua filha com o avô, no Recife, para trabalhar como babá e empregada doméstica na casa de uma família de classe média alta na cidade de São Paulo. Val, que não tem sua própria casa, trabalha e mora na mansão dos patrões. Às vezes, até sai à noite com uma amiga que trabalha em uma casa da vizinhança. Val parece bem e não questiona o tratamento que recebe dentro da casa, e exerce a sua função sem muitas reclamações.

Até então tudo parecia tranquilo, mas a situação muda com a chegada de Jéssica, filha de Val, que, depois de treze anos, decide vir para São Paulo fazer a prova de vestibular da USP para cursar arquitetura. Já a caminho da casa dos patrões de sua mãe, Jéssica demonstra a sua indignação com o fato de sua mãe morar no trabalho: “Tu mora no quartinho dos fundos da casa deles?”. A menina, ao invadir o ambiente dessa família provoca algumas reações desagradáveis para todos os personagens: Bárbara se impressiona com o curso de desejo de Jéssica; José Carlos se sente atraído pela moça; Fabinho apenas demonstra certa indiferença. O filme é praticamente dividido entre o antes e o depois da chegada de Jéssica e sua narrativa se desenvolve acerca disso. 

A partir do método do estruturalismo construtivista e/ou construtivismo estruturalista, desenvolvido por Pierre Bourdieu durante o século XX, é possível identificar alguns aspectos da narrativa e construção de personagens do filme que se encaixam na teoria do espaço social e a mobilidade entre campos de interação possíveis abarcadas pela sinopse do longa. [...]"

Confira o trabalho na íntegra aqui.

Confira também o trailer do filme!



quinta-feira, 25 de junho de 2015

“O QUE O MUNDO SEPARA, O ESQUENTA! JUNTA?”: como representações e mediações ambivalentes configuram múltiplos territórios

Em sua dissertação, Ohana Boy Oliveira tem como objeto de estudo o programa televisivo Esquenta!, apresentado por Regina Casé e veiculado pela Rede Globo aos domingos. A partir dos conceitos interdisciplinares trabalhados no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades, Ohana analisa o Esquenta!, tendo como base a metodologia da tríplice mimese de Paul Ricoeur, além de trabalhar questões que giram em torno da memória, identidade e projeto, como desenvolveu Gilberto Velho.

Não poderíamos deixar de compartilhar esse trabalho, agora disponível online.

Boa leitura!

Resumo: Através de uma abordagem multidisciplinar, buscamos complexificar a compreensão acerca do programa televisivo Esquenta!, apresentado por Regina Casé na Rede Globo, criado em parceria com Hermano Vianna e integrante do Núcleo Guel Arraes. Na perspectiva dos estudos culturais, discutimos a ambivalência desse produto midiático e as múltiplas territorialidades que o mesmo representa. Por meio dos eixos de mediação cultural, representação e conflito, que estão imbricados, procuramos analisar com olhar crítico os processos de configuração, prefiguração e refiguração da narrativa proposta pelo programa, utilizando para isso a metodologia da tríplice mimese de Paul Ricoeur. Dessa forma, relacionamos o objeto às discussões sobre memória, identidade e projeto, via Gilberto Velho, buscando compreender os processos de produção de consensos e conflitos entre produtores e receptores do programa.

Palavras-chave: Esquenta!, ambivalência, territorialidades, mediação, representação

Leia na íntegra e faça o download, clicando aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "Análise da obra audiovisual '1984', de Michael Radford, a partir das teorias de Karl Marx"

O filme 1984, baseado no livro homônimo escrito por George Orwell, retrata o que seria uma sociedade inglesa num futuro não tão distante, controlada por um regime totalitário. Tendo ampla parte da população formada pela classe proletária, tal sociedade é governada por um partido onde o poder se concentra na figura do grande irmão, figura onipresente e inquestionável que vigia os indivíduos a todo instante através da teletela.

Para analisar o filme, Marinna Leal, aluna de Sociologia e Comunicação, utilizou como base algumas teorias de Marx, principalmente os conceitos de ideologia e alienação. O filme retrata a história de uma sociedade profundamente desigual, onde a classe dominante, representada pelo partido do grande irmão, tem controle total dos meios de produção e das superestruturas. Por outro lado, a maior parte da população, formada pelos trabalhadores, representa a classe oprimida, que tem sua força de trabalho explorada, além de ter acesso restrito à qualquer atividade que não beneficie diretamente o partido. Dessa forma, o proletariado é mantido em permanente alienação, incapaz de questionar e reverter o sistema no qual estão inseridos. Além disso, todas as mensagens que circulam em larga escala são produzidas pela classe dominante e, através de uma repetição constante, se tornam a única verdade ao serem impostas às classes oprimidas, que está envolta por uma falsa consciência ideológica.



"O filme 1984, de Michael Radford, é uma obra baseada no livro de George Orwell,  publicado em 1949, com o título original Nineteen Eighty-Four. O filme, ambientado no que seria uma Inglaterra futura, relata o funcionamento de uma sociedade, Oceania, controlada por um governo totalitário, o Partido Ingsoc, que busca a dominação e alienação da população através do controle de seus pensamentos e ações, da alteração e manipulação da história, das informações, das palavras e significados, de acordo com os interesses do Partido. Para tal, os dirigentes do Partido utilizam telas de TV espalhadas pelas cidades que, além de emitir constantes mensagens e informações manipuladas pelo governo sobre questões econômicas, sociais e a respeito de guerras e batalhas, captavam imagens com o intuito de vigiar a conduta dos indivíduos, através ainda da personificação do chamado Grande Irmão (Big Brother). As três superpotências apresentadas no filme, Oceania, Eurásia e Lestásia, estavam constantemente em guerra. 

Winston Smith (John Hurt) é um funcionário do Partido Exterior, uma fração do Ingsoc, que trabalha no Ministério da Verdade reescrevendo as informações e notícias de modo que essas transmitam uma imagem positiva para a população. Smith inicia um relacionamento com Julia (Suzanna Hamilton) e os dois passam então a desafiar as regras e o controle do Partido, que deseja eliminar a libido na população, bem como os bons sentimentos que não sejam direcionados ao Grande Irmão. 

Algumas das teorias e conceitos de Marx podem ser identificadas em diversos momentos da trajetória da obra 1984, sendo a o conceito de ideologia e alienação os mais presentes."



Confira o trabalho completo aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mídia e Memória - Trabalhos Finais: Relações entre narrativa e memória em "Ao Coração da Tempestade", de Will Eisner.

Graphic Novel ou, em sua tradução para o português, romance gráfico, é uma história produzida em formato de quadrinhos. O termo é usado especialmente em situações nas quais a HQ é longa e feita em sequência. O termo Graphic Novel ficou popular a partir de Will Eisner,  seu criador. Eisner publicou Um Contrato com Deus e, com o intuito de descrever o formato de sua obra, o autor criou o conceito de romance gráfico, que popularizou-se e é comumente usado pelos admiradores das HQs e pela mídia.

O trabalho que segue, feito por Juan Guimarães, aluno de Mídia e Memória, analisará a questão da memória presente na narrativa do quadrinho de Eisner, Ao Coração da Tempestade, a partir dos relatos sobre a infância do autor, de maneira a exemplificar como a lembrança do passado é negociada e construída, se tornando, assim, uma imagem da realidade do indivíduo.


"O presente trabalho tem como intuito fazer uma análise do uso da memória nos meios midiáticos. Como objeto de estudo, utilizarei uma Graphic Novel, termo mais sofisticado para novela gráfica, ou romance gráfico, que nada mais é do que um tipo de narrativa ao qual já estamos mais do que acostumados, uma história em quadrinhos. O titulo utilizado é Ao Coração da Tempestade, de Will Eisner, um dos quadrinistas mais aclamados da atualidade pelo conjunto de sua obra.

O quadrinho de Eisner tem como pano de fundo o resgate da memória frente a acontecimentos marcantes de sua vida. A história se desenrola em torno do período entre guerras, com momentos que remontam tanto a Primeira quanto a Segunda Guerra Mundial. Neste trabalho tratarei de contextualizar o leitor com o enredo do quadrinho, para assim mostrar as implicações do uso da memória em meios midiáticos, tanto como recurso narrativo (textual e visual) como recurso ideológico e semântico.

Neste trabalho utilizarei imagens tanto da versão americana como da versão brasileira pela facilidade de acesso ao conteúdo digital. É importante ressaltar que a construção da memória está sempre em processo de conflito, é um campo de disputa até mesmo dentro do âmbito industrial e mercadológico. Por esse motivo é importante ver as inconstâncias encontradas nas duas versões dos quadrinhos, que pela sua tradução também sofre uma transposição de significados, que muitas vezes buscam reforçar discursos e corroborar com narrativas especificas. Este trabalho não tem o fôlego para aprofundar este estudo, e sim o objetivo de apontar as relações entre mídia e memória, porém não está despreocupado neste sentido e dá consideração a estas inconstâncias."

Confira o trabalho na íntegra aqui

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Mídia e Memória - Trabalhos Finais: “Entre Chás e Madeleines”.

Attila Marcel, filme francês dirigido por Sylvain Chomet, é denso e repleto de significados. O filme conta a história de Paul, um homem adulto que sofre e carrega consigo as lembranças de seu passado. A memória da infância do protagonista está bastante presente, ainda que algumas vezes de maneira subliminar.

O intuito deste trabalho, feito pela aluna de Mídia e Memória, Gisele Delatorre, é analisar o filme e sua constante relação com a memória. A partir de autores que estudam o assunto, o trabalho relaciona as vivências de Paul, o protagonista do filme, com conceitos estudados por esses autores, como, por exemplo: fenômeno regressivo de Freud, lembrança de Halbwachs e memória de Marcel Proust. 



Filmado em 2013, o filme francês dirigido por Sylvain Chomet (“As Bicicletas de Belleville”, “Paris, Te Amo”) é uma película repleta de não coincidências aos diversos fatores que envolvem a memória e suas implicações no mundo em que se vive, ou ainda: o presente em constante diálogo com o passado, sendo aquele periodicamente reconfigurado e atualizado por este conforme a narrativa se constrói.

Paul (Guillaume Gouix), protagonista da obra, é um homem extremamente infantilizado que, mesmo aos trinta anos, continua morando com suas tias, (interpretadas por Bernadette Lafont e Hélène Vincent), que o criaram devido à morte até então desconhecida de seus pais quando tinha apenas dois anos. Por conta de tal trauma, Paul se comunica apenas pelas suas expressões, por avisos deixados numa lousa em sua casa ou – mais expressivamente - pelo piano, instrumento que toca habilmente nas aulas de dança dadas por suas tias. 

Logo na cena inicial é mostrado que memórias muito distantes da infância do protagonista – não esquecidas, porém, além de traumáticas, muito remotas e por tais motivos mais difíceis de serem ativadas conscientemente – estão aparecendo (não coincidentemente) em sonhos, que Freud em “A Interpretação dos Sonhos” (1899/1900) aponta como um fenômeno regressivo no qual os estados primitivos da infância nos são devolvidos, onde sempre há um significado da realização de desejos reprimidos. Halbwachs afirma que existe tal dificuldade para ativar lembranças da infância, pois ainda não nos era caracterizado a noção de sermos entes sociais.

Confira o trabalho completo aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sociologia e Comunicação - Trabalhos Finais: "Análise do filme Tarja Branca - A Revolução que Faltava"

Tarja Branca – A Revolução que Faltava é um documentário dirigido por Cacau Rhoden que reflete e põe em discussão a importância de rememorar a infância. A modernidade tem influência direta na maneira como nos relacionamos com o mundo, dessa forma, redimensiona e influencia o significado do que é ser criança.

O objetivo deste trabalho, feito pela aluna de Sociologia e Comunicação, Mariana Kreischer, é analisar o documentário a partir dos conceitos de Georg Simmel, interagindo a fala do autor com a narrativa do filme. Tarja Branca aponta a hipótese da brincadeira e da criança, enquanto ser lúdico, estar passando por uma crise, atribuindo isso à massificação, à publicidade e aos problemas inerentes a modernidade. 


"O documentário nos mostra que brincar é uma forma de expressão do ser humano e se dá nas diferentes etapas da nossa vida, de diferentes modos, estando sempre presente. Desde crianças nossas mentes são inundadas com brincadeiras, jogos lúdicos de imaginação, despertando em nós o desejo de criar brincadeiras novas ou reproduzir antigas. Em uma das entrevistas do documentário, um estrangeiro que vive no Brasil diz que existem aspectos que são essenciais para a brincadeira acontecer: a liberdade de tempo, espaço e criação. Como a brincadeira é uma linguagem muito da espontaneidade, da liberdade, muitas vezes da criação de um mundo paralelo ao que vivemos cotidianamente, a brincadeira acaba tomando uma postura quase mágica, encantada quando acontece. E ela exige de quem participa certa seriedade do fazer, mas não a seriedade atribuída na modernidade, que muitas vezes ganhou o significado de sermos sisudos e austeros, mas sim de estarmos completamente entregues à atividade que realizamos, seja no trabalho ou em outros aspectos de nossa vida. A brincadeira é posta como sinônimo de imperfeição, colocada como desnecessária. Porém, a criança enquanto brinca está totalmente focada e comprometida com seu objetivo, seja ele de realizar uma brincadeira que envolva atividade física ou concentração no raciocínio, por exemplo. Ou seja, a seriedade de que falamos aqui é justamente a que a criança adota na brincadeira."

Confira o trabalho completo aqui.

domingo, 12 de abril de 2015

Mídia e Memória - Trabalhos Finais: "Formas de lidar com a morte usando estratégias da memória: 'As pessoas permanecem vivas enquanto falarmos delas'"

A doença de alzheimer é um transtorno neurodegenerativo incurável que, inicialmente, causa a perda da memória recente e se agrava progressivamente, acarretando a perda das funções corporais básicas até, eventualmente, levar a morte. Perder um ente querido é uma experiência dolorosa, quando ocorre em função de uma doença que o torna incapaz de realizar funções básicas e recordar laços afetivos cotidianos, pode se tornar uma lição de vida, como aconteceu no caso do escritor Fernando Aguzzoli e sua avó Nilva.  O jovem criou uma fanpage no facebook para relatar conversas e fatos sobre ele e a avó, além de compartilhar informações sobre a doença e dialogar com pessoas que passaram pela mesma situação. A fanpage resultou ainda em um livro intitulado "Quem, eu?", frase que a avó Nilva repetia constantemente.

Os alunos Caroline Ribas, Igor Barreto e Thayanne Torres, da turma de Mídia e Memória, analisaram o caso do Fernando, como um exemplo de materialização da memória, de modo que, mesmo após a morte da sua avó, o jovem continuou escrevendo na página e criou o livro. Além disso, quando compartilha suas lembranças com outros indivíduos, Fernando as transforma em memória coletiva, pois ao entrar em contato com os relatos do escritor, algumas pessoas podem criar empatia, se identificando com tais fatos. A partir daí, a memória passa a pertencer a essas pessoas também. 

Como base para o trabalho, o grupo usou textos dos autores Michael Pollak e Gilberto Velho, além do conteúdo e filmes trabalhados em sala pela professora Ana Enne.


"O objeto analisado é um caso de Fernando Aguzzoli, jovem que largou o emprego e a faculdade para cuidar da avó com Alzheimer — doença incurável que provoca o declínio das funções intelectuais, principalmente a memória —. Ele criou uma fanpage no Facebook, contando diversas memórias dele com a avó de forma não linear, notícias de possíveis curas, e também dicas de como lidar com uma pessoa com a doença. O rapaz e a Vovó Nilva ficaram conhecidos pelo Brasil rapidamente. 

Meses depois da criação da página a Vovó Nilva faleceu, porém Fernando continuou a postar na página e também resolveu transformar o conteúdo das lembranças em um livro chamado 'Quem, Eu?' frase dita pela avó tantas vezes. 

Essas formas de criação de recursos para se lembrar de alguém e ainda continuar falando dela para os outros, de modo que a pessoa querida se mantenha eterna nas lembranças, é um exemplo da crise dos “Meios para lembrar”, onde as pessoas têm a necessidade de criar um lugar para que se possa rememorar algo ou alguém, ou seja, há uma materialização da memória para fixar sentidos. Nesse caso, a fanpage e o livro. 

Essa crise ocorre porque hoje a maioria dos indivíduos acredita que para memória viva, não morrer é preciso criar arquivos, manter aniversários e organizar celebrações. Quando na verdade ela permanece no corpo, nos silêncios, nos gestos e nas práticas cotidianas como diz o historiador francês Pierre Nora na sua obra 'Les Lieux de Mémóire'."

Confira o trabalho completo aqui.

E não deixe de visitar a fanpage Vovó Nilva.