segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sobre Howard Becker


Como neste segundo semestre de 2010 estamos estudando G. Simmel nas reuniões do GRECOS, pretendemos fazer uma série de posts sobre o autor e temas afins. Considerando sua enorme influência na formação da Escola de Chicago, na sociologia dos EUA, preparamos esse pequeno post sobre um dos principais nomes dessa Escola, Howard Becker.

No site da FGV, link para uma entrevista realizada em 2009 com o sociólogo norte-americano Howard Becker, mais conhecido aqui no Brasil como o autor de Outsiders (1963).
Um dos membros mais reconhecidos da Escola de Chicago, Becker analisa os autores e contribuições desta Escola em ótimo e delicioso artigo publicado na Revista Mana.

Link também para o excelente artigo do antropólogo Gilberto Velho, especialista em temas referentes à Escola de Chicago, sobre Goffman e Becker.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

We all want to be young

We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

Vídeo bem legal, produzido pela BOX1824, empresa que estuda tendências de comportamento e consumo com foco em jovens. Apresenta pontos interessantes para discussão da contemporaneidade, como vem sendo debatidos em sala.
Dica de Diogo Bardasson, aluno da disciplina de Mídia e Juventude oferecida esse semestre pela prof. Ana Enne no curso de Estudos de Mídia.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dicas de textos online


Algumas dicas de arquivos disponíves para download:

Pasta com 196 textos de autores como Bourdieu, Foucault, Latour, Lévi-Strauss, Malinowski, Merleau-Ponty, Sahlins, Viveiros de Castro, Leach, Bhabba e Boas.

Alguns textos de Bauman, Bourdieu, Adorno, Weber, Giddens, Elias, Simmel e Habermas.

Textos de filosofia, psicologia e antropologia. Autores como Mauss, Sartre, Platão, Chauí, Aristóteles, Deleuze, Freud, Kant e Heidegger.

Blog com vários links de textos na área de humanidades. Extensa lista de autores e temas nas tags.

Pasta com arquivos de antropologia clássica e social, estudos culturais, linguística, filosofia, semiótica, política, etc. Com muuuuitos autores, dentre eles, Sousa Santos, Bobbio, Luhmann, Florestan Fernandes, Umberto Eco, Stuart Hall e Geertz.


Dica de blog



Já viram o blog Que Cazzo é esse? É um espaço desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Ciências Sociais e do PPGS da UFPE e do Departamento de Ciências Sociais e PPGS da UFPB. Voltado para teoria e metodologia das ciências sociais, trata também de antropologia, história, filosofia, feminismo, comunicação e temáticas contemporâneas.
Para ilustrar, um post sobre Simmel, sociólogo estudado esse semestre no Grecos: "Da vida ao tempo: Simmel e a construção da subjetividade no mundo moderno", de Jonatas Ferreira.
Fica a dica!

Dicas de documentários


Aqui vão algumas dicas de filmes, com temáticas contemporâneas e disponíveis com legendas para assistir online. Mais do que documentários, são formas de ativismo político que se apropriam da linguagem audiovisual para disseminar suas visões de mundo.
Valem o clique!

Documentário sueco, produzido por Erik Gandini, que discute sociedade de consumo, passando por sistemas políticos e meio ambiente, com uma visão interessante acerca do socialismo e o capitalismo.

Compilação e edição de "John Nada", realizado a partir de vários outros documentários, como "End Game", "Loose Change" e "Zeitgeist". Trata de questões relacionadas a mídia, nova ordem mundial e quem está por trás dela, grupo Bilderberg, mitos contemporâneos e biotecnologia, com certo tom de conspiração, mas bem instigante.

Produzido por Peter Joseph, o termo "Zeitgeist" vem do filósofo alemão Hegel, significando espírito da época. O documentário desconstrói mitos, falando desde o cristianismo e suas raízes histórias, até o 11 de setembro nos EUA. Explica o funcionamento do sistema econômico estadunidense, centralizado no Federal Reserve, o papel da mídia na construção da hegemonia e senso comum e apresenta o Projeto Venus como opção de nova sociedade sustentável e igualitária.

domingo, 3 de outubro de 2010

Breve diálogo entre espetáculo e política




Protesto do Greenpeace, coletivo mundialmente conhecido por promover ações espetaculares 
O livro “A sociedade do espetáculo” (1967), do francês Guy Debord, é considerado um norteador para os movimentos sociais das décadas de 60 e 70. Debord defende que as relações nas sociedades modernas, impregnadas pelo capitalismo avançado, passaram a ser mediadas pela imagem, pela dimensão do espetáculo, substituindo o real pela sua representação. O parecer prevaleceria sobre o ser e o ter, evocando assim uma possível essência do ser humano. As ações espetaculares promovidas pelos coletivos políticos não poderiam ser vistas como críticas, tendo em vista a utilização da mesma lógica que pretendiam criticar, agindo, portanto, como forma de reiteração da sociedade do espetáculo. Partindo disso, como analisar as formas de ativismo político na contemporaneidade? Seriam estas apenas reiterações da lógica sistêmica? 
O que Debord não previa era a imbricação entre campos vistos como dicotômicos e a capacidade dos sujeitos de se apropriarem e ressignificarem as ações. De lá para cá, as questões se deslocaram,  a sociedade se complexificou, dicotomias ruíram, dando lugar a novos paradoxos e paradigmas. Diante desse novo contexto, caracterizado pela fragmentação, pela lógica da convergência e pelos atravessamentos que fazem tudo parecer interconectado, o sujeito pós-moderno tende a responder de forma diferente, a resistir de novas maneiras.
Dessa forma, perceber as ações midiáticas dos movimentos como reiteração da lógica capitalista é restringir o debate ao pensamento marxista de Debord. Se pensarmos que a sociedade contemporânea é intrinsecamente atravessada pelas mídias e essa se constitui como lugar de disputa discursiva, dada sua importante e estratégica posição na estrutura social, podemos perceber que tais reações se adequam à linguagem global das mídias. Trata-se, portanto, da recriação de formas de resistência e contra-hegemonia na sociedade contemporânea e não de uma reiteração da lógica capitalista ou reificação dos movimentos sociais.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sobre morte e juventude


Neste semestre, na disciplina Mídia e Juventude dada pela professora Ana Enne (no curso de Estudos de Mídia da UFF), estamos discutindo valores associados à juventude. As últimas aulas sobre modernidade e a questão do jovem em cena num lugar de protagonista na sociedade, me levantaram à seguinte questão: O surgimento e legitimação da juventude e seus valores estariam associados à ideia da morte de deus?
Partindo do princípio de que o nascimento da ciência pode ter anunciado a morte da idéia de um Deus pai, criador e regente - Deus, que até então era um suporte de alívio ao desconhecimento do indivíduo sobre sua origem, seu fôlego, sua morte, começa a perder o centro do Universo, e a humanidade, a esperança de uma vida após a morte.
A modernidade traz à tona uma nova perspectiva sobre a vida. O indivíduo se depara com o medo da morte, não apenas de sua carne mas também de seu espírito. A crença no reino dos céus após a morte cai por terra. A fé se distancia cada vez mais do mundo transcendental e se materializa numa visão modernista: a busca pela novidade, pelo progresso, tanto quanto a busca pela maior distância possível da morte. O pavor do fim da suposta única vida aumenta, mesmo que inconscientemente.
As preocupações se afastam cada vez mais do pecado, se aproximando da vontade de ser jovem, de aproveitar a vida como se fosse o ultimo dia e, tempos depois, a busca por ser saudável, belo, moderno. A morte passa a ser um dos maiores medos e as dúvidas sobre existência do inferno ou do céu estão mais evidentes. Isso nos faz pensar sobre uma ligação existente entre o medo da morte e a vontade de estar longe dela, refletida na valorização da juventude e no desejo do indivíduo de ser sempre jovem.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ulf Hannerz


O antropólogo sueco Ulf Hannerz é diretor do Departamento de Antropologia da Universidade de Estocolmo, além de presidir a Associação Européia de Antropólogos Sociais. Começou seus estudos na década de 60, influenciado por autores da antropologia social britânica, particularmente, a Escola de Manchester, com Gluckman e Mitchell. Ao se mudar para os Estados Unidos, teve contato com o interacionismo simbólico de Goffman e as noções de cultura de Geertz. Desenvolvendo pesquisas em torno da antropologia urbana, culturas transnacionais e globalização, o autor iniciou suas publicações com “Soulside. Inquiries into Ghetto Culture and Community”, em 1969, fruto do trabalho etnográfico realizado num bairro majoritariamente negro de Washington.
Hannerz trabalha com uma perspectiva distributiva da cultura, buscada na sociologia do conhecimento e em autores como Peter Berger e Thomas Luckmann, que enfatizavam seu caráter processual. Tal perspectiva se deu por uma insatisfação com a antropologia clássica, que tendia a homogeneizar os indivíduos sob o manto das culturas. Dessa forma, adota o conceito de criolização, como uma dimensão socioestrutural capaz de abarcar as diversas misturas observadas em suas pesquisas etnográficas. A origem do termo remonta ao contexto da plantation nas sociedades do Novo Mundo e consolida-se nos estudos de sociolingüística. Hannerz propõe sua utilização na cultura a fim de alcançar uma visão macroantropológica, tornando o termo menos genérico e relacionando-o a uma sociedade mais estruturada.
Criolização, hibridez, sincretismo, mestiçagem, sinergia, etc, são criticados por se tratarem de um essencialismo confuso, ao sugerirem que as correntes culturais envolvidas no processo fossem anteriormente puras. Hannerz responde tais críticas se utilizando da lingüística, afirmando que não se levaria a sério a idéia de uma língua historicamente pura. No entanto, as misturas ocorrem em condições específicas nas diversas culturas e em graus variados. Indica ainda que uma das formas de se opor ao fundamentalismo cultural é desmistificando a própria cultura, passando a entendê-la como processo e produto da atividade humana (agency).
Para o autor, as cidades figuram como centros de confluência de culturas, sendo as interações condicionadas a essas combinações. A antropologia clássica estudava as minorias urbanas de modo isolado, não-imersas nas interações sociais promovidas pelo espaço da cidade, preocupando-se mais com o aspecto antropológico. O ambiente urbano, em especial zonas fronteiriças e metrópoles, constituem espaços estratégicos para o estudo da diversidade cultural, como apontam Canclini e outros tantos autores contemporâneos.
Hannerz defende o método etnográfico como forma de analisar os diversos fluxos envolvidos na contemporaneidade e afirma ainda que foi fundamental para a formação de seu pensamento social. Em entrevista concedida a Fernando Rabossi (Os limites de nosso auto-retrato. Antropologia urbana e globalização), diz que "Ao longo de sua história, a antropologia tem oscilado entre orientações que enfatizam a abertura e orientações que enfatizam o fechamento, de forma que, em parte, trata-se de uma questão teórica. No entanto, dadas as atuais condições do mundo, penso que precisamos trabalhar mais com a etnografia, com a análise, e até mesmo com o vocabulário da interconectividade, pois boa parte das pessoas no mundo hoje estão envolvidas em vários tipos de mobilidade geográfica, além da existência da mídia e de instituições educacionais muito semelhantes pelo mundo afora - o que não se adequa à imagem do mosaico. Eu e algumas outras pessoas temos utilizado a noção de "fluxos", metáfora que me parece conduzir efetivamente para uma preocupação com os processos que se desenrolam no espaço e no tempo".
Em seu artigo, “Fluxos, fronteiras, híbridos – palavras-chave da antropologia transnacional”, Hannerz pretende localizar nos estudos antropológicos a idéia de globalização, pressupondo que a preocupação com as relações interculturais sempre estiveram presentes nesse campo. Analisa o vocabulário da antropologia transnacional, fazendo referência ao livro "Keywords", onde Raymond Williams apresentava uma investigação histórica de termos culturais e sociais, como mídia e tradição. Por fim, conclui que tais processos culturais não levam a igualdade, pois onde há luta, há também jogo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre o risco de se contar uma história única


Sugestão maravilhosa de Lia Bahia: a escritora nigeriana Chimamanda Adichie faz uma brilhante conferência sobre "O perigo de uma única história". Emocionante, contundente e muito legal para refletirmos sobre a relação entre discurso, identidade e poder.

http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Matéria sobre Adorno



Adorno: el filósofo de la belleza
Publicada na Revista de Cultura Ñ.

A cuarenta años de su muerte, las ideas del autor de la "Teoría estética" tienen una vigencia indiscutible. Esta nota se centra en el impacto de su obra filosófica, pero toca también aspectos personales. Además, un análisis sobre su teoría musical.
En una carta a su querido Walter Benjamin, en quien tuvo un aliado pese a todos los desacuerdos (o acaso gracias a ellos), Adorno confiesa, no sin orgullo: "De mi existencia empírica muy pocas cosas merecen señalarse; sí, en cambio, de la intelectual". En verdad, esta declaración podría aplicarse a toda su vida, ya se la considere segmentada en fases o como una continuidad. Pues al leer las diversas biografías de Theodor L. Wiesengrund Adorno, desde la inteligente y concisa de Hartmut Scheible –lamentablemente no traducida al español– hasta la monumental e indiscreta de Stefan Müller-Doohm, no se puede dejar de tener la sensación de que este controversial pensador careció de una existencia externa. En él, pareciera que la verdadera, la única trayectoria es el proceso intelectual, sin gran correlación directa con los problemáticos contextos en los que ocasionalmente se hallaba. ¡Ni siquiera el régimen nazi parece haberlo jaqueado!

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