Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade (GRECOS), coordenado pela professora Ana Lucia Enne (UFF), relacionado às disciplinas lecionadas por ela no curso de Estudos de Mídia e na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da UFF, conjugando reflexões sobre sociologia, estudos culturais, história, antropologia, cultura, mídia, consumo, memória, juventude, movimentos sociais e identidade, dentre outros temas, e ao Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, o aluno Julieverson Figueiredo desenvolveu uma análise do reality show Big Brother Brasil a partir de conceitos de Max Weber, Guy Debord, e Erving Goffman, trabalhados na disciplina.
"A garantia à privacidade é um direito humano desenvolvido a partir do pensamento liberal, levada a sério pela sociedade e assegurada pela Constituição Federal, em seu artigo 5.o, inciso X. Contudo, existem pessoas que gostam de estar em evidência, e podem abrir mão de tal direito a fim de adquirir fama e espaço nos meios midiáticos. E se essas pessoas que gostam de se destacar tivessem a oportunidade de estarem sendo vistas 24 horas por dia, dentro de uma casa, tendo sua imagem veiculada todos dias, por em média três meses, no maior conglomerado de mídia de seu país, na intenção de serem julgados pela audiência e quem sabe se tornarem milionárias? Essa é a premissa do Big Brother Brasil, versão brasileira do reality show Big Brother."
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, a partir de pensamentos do sociólogo Edgar Morin em seu livro Culturas de Massa, a aluna Mariana Goulart desenvolveu uma análise acerca das narrativa relacionadas a campeã da 22ª edição do Big Brother Brasil, Juliette Freire, e seu potencial de identificação.
"A narrativa criada pela jogadora e principalmente montada para a edição que ia ao ar diariamente do Big Brother Brasil, conseguiu fazer com que muitas pessoas se identificassem com a história que a participante vivia lá dentro da casa, essa identificação tem muito a ver com o que Edgar Morin comenta em seu livro Culturas de Massa no Século XX: o espírito do tempo, ao trazer uma reflexão que coloca esses novos influenciadores no lugar de deuses, se tornando modelos de vida para quem os acompanha."
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, o aluno Caio Santos Aguiar desenvolveu uma análise acerca do uso da rede social Instagram se baseando em autores e conceitos trabalhados ao longo do semestre.
"Com o objetivo principal de ser uma plataforma de compartilhamento de fotos e vídeos, o Instagram ao decorrer de 11 anos se tornou não só uma das maiores redes sociais, como também um dos maiores veículos de publicidade e comunicação do mundo. Dados divulgados pela Revista Forúm mostram que no ano de 2018 a plataforma atingiu o número de 1 bilhão de usuários ativos e que pelo menos 71% dos usuários têm entre 18 e 35 anos. No mesmo ano, de acordo com um estudo realizado pela Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), 8 em cada 10 alunos, de 18 a 29 anos relataram sentir ansiedade, medo e desesperança, poderia o Instagram estar sendo um dos gatilhos para os jovens adultos nestes tempos de modernidade líquida?."
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, o aluno Expedito Veríssimo optou por trabalhar conceitos do sociólogo Karl Marx, relacionando-os com a indústria do Agronegócio, expondo suas problemáticas e efeitos na sociedade.
"Ao consumir os alimentos no mercado a pessoa não tem noção de como é feito o processo de produção do agronegócio, as condições de trabalho arriscadas pelo uso de substâncias altamente
tóxicas e/ou cancerígenas, a lógica exploradora da terra, invasões, o impacto ambiental exacerbado e insustentável entre outros. Tudo isso fica oculto e cria-se uma falsa idealização de que o Agronegócio é algo que produtivo, moderno e traz retorno benéfico. Uma vez que o agronegócio detém grande parte dos meios de produção conseguimos criar uma relação entre a mídia e a propaganda que fortalece um discurso do agronegócio. A propaganda: “Agro é tec, agro é pop, agro é tudo”, esclarece isso muito bem. Ela nos apresenta por via dos meios de comunicação um discurso que procura a manutenção e afirmação de poder por meio de imagens idealizadas e utópicas da realidade o que pode ser considerado uma alienação. As pessoas que
internalizam essas afirmações terão mais dificuldade ainda de conseguir enxergar todas as questões que não são trazidas com frequência. Então, ao consumir um produto ela sente segurança por ter uma visão distorcida da realidade, o que nos lembra aquele pensamento hegemônico imposto pela ideologia."
No Papinho ep.18, seguimos apoiando as disciplinas de Estudos Culturais, com Ana Enne e Luna Costa na graduação de Estudos de Mídia/UFF, e de Teoria das Territorialidades, do PPCULT/UFF, ambas no semestre 2021/1. Neste segundo Papinho desta terceira temporada, conversamos sobre as cosmovisões e epistemes ameríndias, especialmente a partir do Bem Viver, da Utopia Ch'ixi, proposta por Silvia Cusicanqui, e das reflexões de Ailton Krenak sobre como podemos adiar o fim do mundo.
Vamos disponibilizar aqui uma relação das referências que embasaram o episódio, citadas ou não no decorrer do mesmo, em ordem de aparecimento no decorrer do Papinho 18:
8) PAZZARELLI, Francisco. "Entrevista. Esas papitas me están mirando! Silvia Rivera Cusicanqui y la textura ch’ixi de los mundos". Revista de Antropologia da UFSCAR. R@U, 9 (2), jul./dez. 2017: 219-230.
9) POTIGUARA, Eliane. “Exaltação à terra, à cultura e à espiritualidade indígenas”. IN: Metade cara, metade máscara. Rio de Janeiro: Grumin, 2018.
11) CASTRO, Eduardo Viveiros de. “Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio”. MANA 2(2):115-144, 1996.
12) ANJOS, José Carlos dos e FEHLAUER, Tércio Jacques. “Para além do “pachamamismo”: Pachamama e Sumak Kawsay como potência cosmopolítica andina”. IN: Tellus, Campo Grande, MS, ano 17, n. 32, p. 103-118, jan./abr. 2017.
13) FIGUEIREDO, Eurídice. “Eliane Potiguara e Daniel Munduruku: por uma cosmovisão ameríndia”. IN: Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 53, p. 291-304, jan./abr. 2018.
14) LIMA, Tãnia Stolze. “O Dois e seu múltiplo: reflexões sobre o Perspectivismo em uma Cosmologia Tupi” MANA 2(2):21-47, 1996
46) Sobre as concepções de akha pacha e khä pacha, ver CUSICANQUI, Silvia Rivera."Entre el Buen Vivir y el Desarrollo: una perspectiva indianista". In: ERREJÓN, I. e SERRANO, A. (coords). “¡Ahora es cuándo, carajo!”. Del asalto a la transformación del Estado en Bolivia. Ediciones de Intervención Cultural/El Viejo Topo, 2011.
47) MARTINS, Leda. “Performances do tempo espiralar”. IN: RAVETTI, Graciela e ARBÉX, Marcia (orgs). Performance, exílio, fronteiras: errâncias territoriais e textuais. Belo Horizonte: Departamento de Letras Românicas, Faculdade de Letras/UFMG: Poslit, 2002.
48) MARTINS, Leda. Afrografias da memória. São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Mazza Edições, 1997.
57) MUNDURUKU, Daniel. “O ato indígena de educar(se), uma conversa com Daniel Munduruku”. Transcrição de encontro realizado em 5 de julho de 2016, como parte de ação de difusão da 32ª Bienal: Programa de Encontros no Masp -http://www.bienal.org.br/post/3364
62) ANZALDÚA, Gloria. Borderlands: the new mestiza = La frontera. San Francisco: Aunt. Lute, 1987.
63) ANZALDÚA, Gloria.”La conciencia de la mestiza / rumo a uma nova consciência”. In: Revista Estudos Feministas. Vol. 13, nº 3. Florianópolis, set/dec 2005.
64) ANZALDÚA, Gloria. “Como domar uma língua selvagem”. IN: Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Difusão da língua portuguesa, no 39, p. 297-309, 2009.
76) ENNE, Ana Lucia e JESUS, Giula. " "Língua quebradas” e subjetividades ambivalentes: as
mediações, os conflitos culturais e o pensamento de fronteira na série chicana
“Vida" ". Artigo submetido ao GT Comunicon 2021, a ser realizado de
13 a 15 de outubro de 2021 (aguardando ou não o aceite, portanto, ainda inédito)
77) WALSH, Catherine. “Interculturalidade e decolonialidade do poder um pensamento e posicionamento "outro" a partir da diferença colonial”. IN: Revista Eletrônica da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), V. 05, N. 1, Jan.-Jul., 2019.
87) Diversos autores. “Dossiê Sumak Kawsay, Suma Qamaña, Teko Porã. O Bem-Viver”. IN: IHU On-line. Revista do Instituto Humanitas Unisinos, n. 340, ano X, agosto de 2010.
88) SANTOS, Milton. Metrópole: a força dos fracos é seu tempo lento (p. 39-41). In: SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo – Globalização e meio técnico científico-informacional. São Paulo: Editora HUCITEC, 1994.
89) Sobre flanar e práticas do espaço - vídeo "Encontro 8 - Das artes e das dificuldades de andar pela cidade" - com Ana Enne
111) RIBEIRO, Lia. Residente do mundo. Analisando produções e subjetividades de René Pérez Joglar com base em seus deslocamentos. Dissertação de mestrado em Cultura e Territorialidades. Niterói: PPCULT/UFF, 2020.
134) NASCIMENTO, Beatriz. “O conceito de quilombo e a resistência cultural negra”. IN: RATTS, Alex. Eu sou atlântica. Sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza; Imprensa Oficial, 2006.