Blog do Grupo de Estudos sobre Comunicação, Cultura e Sociedade (GRECOS), coordenado pela professora Ana Lucia Enne (UFF), relacionado às disciplinas lecionadas por ela no curso de Estudos de Mídia e na Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) da UFF, conjugando reflexões sobre sociologia, estudos culturais, história, antropologia, cultura, mídia, consumo, memória, juventude, movimentos sociais e identidade, dentre outros temas, e ao Laboratório de Mídia e Identidade (LAMI).
Para o trabalho final da disciplina Sociologia e Comunicação, a aluna Francine das Mercês Rodrigues trabalhou o seu próprio curta-metragem "Disponível", traçando paralelos com alguns conceitos do sociólogo Georg Simmel
"O curta-metragem “Disponível”, feito no ano de 2019, narra a história de uma
personagem que vive uma rotina 24/7, conceito tratado pelo crítico Jonathan Crary, pautada
no uso excessivo dos meios tecnológicos, na necessidade de estar conectada, em um
cotidiano alienante e acelerado que revelam certas questões relacionadas ao indivíduo
contemporâneo. Tendo em vista as características presentes no curta, este trabalho visa
analisar como essas questões foram representadas nas cenas em paralelo aos pontos traçados
pelo sociólogo alemão Georg Simmel em ‘A metrópole e a vida mental’ de 1902."
Como trabalho final da disciplina Sociologia e Comunicação, utilizando conceitos estudados de Karl Marx e Guy Debord, a aluna Beatriz Werneckanalisou o impacto do Big Brother Brasil na sociedade durante os meses em que é exibido.
"O Big Brother é um programa que tem uma forte influência na população. Por ser
transmitido na Globo, maior empresa televisiva do Brasil, ele conta com uma audiência muito
grande. Mesmo que não acompanhe o programa, praticamente todo mundo sabe quando ele
está sendo transmitido, quando acaba, ou seja, basicamente todo mundo conhece o Big
Brother.
Um dos principais conceitos de Marx é o de ideologia, que é um instrumento de
dominação que gera conformismo e consequentemente, uma alienação. O BBB se encaixa
nesse perfil primeiramente devido a alienação que ele causa. O telespectador do reality fica
tão envolvido com o programa que tende a se ausentar por um período de debates que
abordam outros temas da sociedade. Durante o intervalo de tempo em que o BBB está sendo
transmitido, muitos assuntos relevantes passam despercebidos visto que o foco está no reality.
Um exemplo de uma pauta que foi ofuscada pelo BBB foi a eleição de Arthur Lira como
presidente da Câmara. Por mais que a população não pudesse interferir na votação da
Câmara, mesmo com a problemática que a eleição dele trazia, a maioria dos comentários nas
redes sociais, como por exemplo o Twitter, continuaram sendo sobre os acontecimentos do
Para o trabalho final de Sociologia e Comunicação, a aluna Ana Beatriz Marçalfez um trabalho sobre o TikTok e a sua influência no mundo, com uma análise do aplicativo através da perspectiva de Goffman.
"O TikTok é uma ferramenta para compartilhamento de vídeos curtos, de 15 a 60 segundos.
Ainda é possível editar e incluir filtros, trilhas sonoras, legendas e gifs, na mesma plataforma.
A rede social é um fenômeno mundial, somente em 2019 foi baixado 750 milhões de vezes.
Na Índia, quase um terço da população utiliza o aplicativo, são mais de 119 milhões de
usuários ativos . E de acordo com a agência de consultoria Sensor Tower, cerca de um bilhão
Para finalizar a disciplina Sociologia e Comunicação, a aluna Carolina Oliveira E Lunafez uma análise das redes sociais tendo como base conceitos de Georg Simmel e Zygnunt Bauman
"Faz-se notável que ao mesmo tempo que as redes agregam e aproximam pessoas,
também nos aplicam em bolhas, pois contamos hoje em dia com inúmeras ferramentas que
nos permitem ter contato apenas com o que desejamos. Seguimos apenas quem queremos,
curtimos páginas de assuntos que gostamos, bloqueamos quem nos incomoda, silenciamos
se já não queremos mais ter acesso ao o que aquele indivíduo posta, restringimos aqueles
que não queremos que acessem nossas postagens. Enfim, possuímos inúmeros controles
para permanecermos em nossa zona de conforto."
Com o Papinhoepisódio 16 fechamos a temporada 2020/2021 de nosso podcast. Foram quatro episódios caprichados sobre juventudes e culturas juvenis. Nesse último, procuramos mapear algumas das categorias-chave utilizadas nos estudos sobre estes campos: subculturas, neotribos, cenas, circuitos, microculturas, territorialidades e redes, dentre outras. Agora, é esperar o semestre 2021/1, que se iniciará em junho, para outros episódios do Papinho. :)
Vamos disponibilizar aqui uma relação das referências que embasaram o episódio, citadas ou não no decorrer do mesmo, em ordem de aparecimento no decorrer do Papinho 16:
7) SÁ, Alexandre Nunes de. Experiência, ethos e zeitgeist: ensaio sobre entretenimento e mass media, a partir do filme Curtindo a Vida Adoidado. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Estudos de Mídia) - Universidade Federal Fluminense, 2014.
8) HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
11) WHYTE, William Foote. Sociedade de esquina = Street corner society: a estrutura social de uma área urbana pobre e degradada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
22) GIDDENS, A. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991.
23) Sobre a ideia de tempo espiralar, ver MARTINS, Leda. “Performances do tempo espiralar”. IN: RAVETTI, Graciela e ARBÉX, Marcia (orgs). Performance, exílio, fronteiras: errâncias territoriais e textuais. Belo Horizonte: Departamento de Letras Românicas, Faculdade de Letras/UFMG: Poslit, 2002.
25) MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos. Rio de Janeiro: Forense-Universitária,
1987.
26) WEBER, Max. Economia e sociedade. Brasília, Ed. UNB, 2000.
27) BAUMAN, Z.Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
28) MAGNANI, José Guilherme. "Tribos urbanas, metáfora ou categoria?". Cadernos de Campo - Revista dos alunos de pós-graduação em Antropologia. São Paulo, USP, 2 (2), 1992.
29) FEIXA, Carles. De jóvenes, bandas y tribus. Barcelona, Ariel, 2006.
34) SÁ, Simone Pereira de. "Will Straw: cenas musicais, sensibilidades, afetos e a
cidade". In: Jeder Janotti Jr; Itania Maria Mota Gomes. (orgs.). Comunicação e Estudos
Culturais. Salvador: EDUFBA, 2011, p. 147-162.
35) BENNETT, Andy; PETERSON, Richard A. (eds.) Music Scenes: Local, Translocal,
and Virtual. Nashville: Vanderbilt University Press. 2004
36) BEZERRA, Amilcar A. e outros. "Sertanejo, manguebeat e Tchê-music: da pertinência (ou não) do conceito de cena musical para gêneros periféricos". IN: SÁ, Simone e outros. Música, som e cultura digital. Rio de Janeiro: E-papers, 2016.
37) GARSON, Marcelo. Quem é o melhor Dj do mundoi? - Disputas Simbólicas na cena de música eletrônica. Dissertação de mestrado em Comunicação, UFF, 2009.
38) POLIVANOV, Beatriz. Dinâmicas de autoapresentação em sites de redes sociais: performance, autorreflexividade e sociabilidade em cenas de música eletrônica. Tese de doutorado em Comunicação, UFF, 2012.
45) FERREIRA, Vitor Sérgio. "Ondas, cenas e microculturas juvenis".
PLURAL – Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da
USP, n. 15, p. 99-128, 2008.
48) SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2008
49) HANNERZ, U. "Fluxos, fronteiras, híbridos: palavras-chave da antropologia transnacional". Mana vol.3 n.1 Rio de Janeiro Apr. 1997.
50) BARTH, F."A Análise da Cultura nas Sociedades Complexas". In: O Guru, o iniciador e outras variações antropológicas. (org) Lask, Tomke. Rio, Contracapa, 2009.
51) CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.
52) CANCLINI, Nestor. Diferentes, desiguais e desconectados. Rio de Janeiro, UFRJ, 2007.
Para finalizar Sociologia e Comunicação, a aluna Camila Da Silva Almeida fez um trabalho sobre a sociedade do espetáculo nas redes sociais e a fetichização no consumismo moderno, tendo como base conceitos de Guy Debord e Karl Marx.
"Desde a segunda metade do século XX, a sociedade ocidental moderna atravessa um
período de intensas modificações estruturais políticas, econômicas, culturais e de socialização
na transição para uma sociedade pós-industrial e globalizada. Esse período marca uma
verdadeira revolução no campo das mídias e das culturas de massa e principalmente com o
advento da internet e das redes sociais, o que dá luz à uma crescente tendência da
superexposição e do hiperconsumismo."
Para o trabalho final de Sociologia e Comunicação, a aluna Ana Luise Duniec analisou o crescimento da rotina de skincare , cuidados com a pele, durante a quarentena em meio às redes sociais, tendo como base conceitos de alguns dos autores discutidos ao longo da disciplina.
"Em meio a esse tempo de reclusão mundial, por conta da COVID-19, muitas pessoas notaram uma diferença na saúde de suas peles. Aproveitando a oportunidade, influenciadores digitais e múltiplas páginas de redes sociais, não hesitaram em recomendar múltiplos produtos para seus seguidores, muitas vezes sem recomendação dermatológica.
A rotina de cuidados com a pele surgiu, de maneira massificada, no momento em que marcas começaram a lançar tendências no mercado relacionadas a uma beleza mais leve e natural. Dessa forma, a rotina coreana de cuidados com a pele, K-Beauty, ganhou bastante força, principalmente a partir do ano de 2018 até os dias atuais."
Apresentamos agora as referências que embasam oPapinho ep. 15, "Juventude como espírito do tempo e estilo de vida da pós-modernidade gloalizada", o terceiro de uma série de 4 podcasts para apoiar a disciplina deMídia e Subculturas juvenis, dividida por Ana EnneeDionísio Almeida Brazo, mestrando em Cultura e Territorialidades pelo PPCULT/UFF, no semestre 2020.2 no curso de Estudos de Mídia/UFF (que excepcionalmente, em razão da pandemia por covid19, está transcorrendo no início de 2021). Neste novo episódio, abordamos como a juventude vai sendo consolidada como categoria-chave no decorrer do século XX na modernidade ocidental, até se converter em signo hegemônico na constituição de um novo espírito de tempo pós-moderno globalizado, um sintoma, como descreve Maria Rita Kehl, mas também uma forma de capital, constituindo um tipo de felicidade paradoxal, como define G. Lipovetsky, em que prazer e ansiedade se mesclam.
Vamos disponibilizar aqui uma relação das referências que embasaram o episódio, citadas ou não no decorrer do mesmo, em ordem de aparecimento no decorrer do Papinho 15:
4) KEHL, Maria Rita. "Juventude como sintoma da cultura". In: NOAVES, R.; VANNUCHI, P. (Org.). Juventude e sociedade: trabalho, educação, cultura e participação. São Paulo: Perseu Abramo, 2005.
5) RUIZ, Oscar Aguilera. "LOS ESTUDIOS SOBRE JUVENTUD EN CHILE: COORDENADAS PARA UN ESTADO DEL ARTE". IN ULTIMA DÉCADA Nº31, CIDPA VALPARAÍSO, DICIEMBRE 2009, PP. 109-127.
6) CARDOSO, Ruth e SAMPAIO, Helena. Bibliografia sobre a juventude. São Paulo: Edusp, 1995.
7) GUERRIEIRO, Lídice. Juventudes e ideologia do empreendedorismo: modos de atuação da sociedade civil na construção de hegemonia na cidade do Rio de Janeiro. Tese de doutorado em Ciências Sociais, PPCIS/UERJ, 2018.
13) SPOSITO, M.P.; CARRANO, P.C.R. "Juventude e políticas no Brasil". In: DÁVILA,Oscar Leon (Org.) Políticas públicas de juventud em América Latina: para Ediciones CIDPA,
de Vinã del Mar, Chile/In: REUNIÃO ANUAL DO ANPED,
26, Poços de Caldas, MG, de 5 a 8 de dez. 2003.
15) ABRAMO, Helena. "Considerações sobre a tematização
social da juventude no Brasil". Revista Brasileira de Educação, Mai/Jun/Jul/Ago 1997 Nº 5 Set/Out/Nov/Dez 1997 Nº 6.
17) CASTRO, J. P. M. e. "Protagonismo juvenil e os
novos modelos de políticas públicas". In:
REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA,
26., 2008, Porto Seguro. Anais... Porto
Seguro: ABA, 2008.
18) BRITO, Sulamita (Org.).
Sociologia da juventude I: da Europa de Marx à America
Latina de hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 1968.
23) COSTA, Jurandir Freire. "Descaminhos do caráter". Folha de São Paulo, 25 de julho de 1999.
24) Referências à expressão "sexo, drogas e cartão de crédito" usada por Jurandir Freire Costa em artigo "Universo restrito", publicado no Jornal do Brasil: link 1; link 2
34) SÁ, Alexandre Nunes de. Experiência, ethos e zeitgeist: ensaio sobre entretenimento e mass media, a partir do filme Curtindo a Vida Adoidado. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Estudos de Mídia) - Universidade Federal Fluminense, 2014.
112) MARGULIS, Mario e URRESTI, Marcelo. “La juventud es más que una palabra”. In: MARGULIS, M. (org.). La juventud es Más Que una Palabra. Buenos Aires: Biblos, 1996.
156) ENNE, Ana Lucia. Conexões entre juventude, consumo e mídia: múltiplas formas de atuação e apropriação. In: Paulo Carrano; Osmar Fávero. (Org.). Narrativas Juvenis e Espaços Públicos: Olhares de pesquisas em educação, mídia e ciências sociais. .Rio de Janeiro: FAPERJ; EDUFF, 2014.
157) ENNE, Ana Lucia. “A favela tá atuando e dispensando os dublês” : a construção, consolidação e expansão de múltiplas redes culturais e comunicacionais a partir de favelas e periferias do Rio de Janeiro. IN: FERNANDES, C.; MAIA, J.; HERSCHMANN, M. (orgs). Comunicações e Territorialidades. Rio de Janeiro em cena.. São Paulo, Ed. Anadarco, 2012.